Ligo o PC. Começo a teclar, mas não me ocorre nada.
Estou cheia de palavras e vazia de assuntos sobre o quais me apeteça desabafar.
Cansaço, preguiça, ou talvez um misto de ambas.
Mesmo assim, vou contrariar esta inércia e continuar a escrever.
Porque mesmo o facto de não me apetecer escrever sobre nada é por si só um tema válido para umas linhas.
Estou sentada frente à TV a ver lamechices. Não tenho vergonha de o admitir.
Paro, penso e continuo a teclar. Abateu-se sobre mim um súbito vazio de ideias que me deixa apavorada.
Terei perdido o meu Dom? Mantenho a calma. Talvez seja apenas um bloqueio cerebral momentâneo.
Vou ficar à espera que passe depressa. Enquanto isso, vou continuar a escrever coisas sem nexo.
Escrever só por escrever. Escrever só porque gosto!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
A viagem
Todas as manhãs saio de casa e retomo a minha viagem. Entro no carro e entrego o volante ao meu destino, deixando que ele me guie sobre as linhas que, a tracejado, vão surgindo no caminho. Não sei bem para onde vou, mas hei-de lá chegar. Algures onde a minha presença é necessária. Missão cumprida, retomo a estrada e sigo viagem. Será longa, será curta? Nunca sei. Apenas quero e desejo sempre seguir em frente e fazer uma boa viagem.
Sono de anjo
Os anjos não têm sexo, mas conheço um que diz ser uma menina.
Tem cabelos de anjo, soltos em pequenos canudos dourados.
Tem cheiro de anjo, um cheiro doce como o leite açucarado.
Tem olhos de anjo, meigos e cintilantes como estrelas.
Tem pele de anjo, macia como o veludo de um pêssego.
Será um anjo caído do céu?
Todas as noites um anjo desce à terra e aterra no meu quarto.
E eu faço-lhe a cama, aconchego-lhe a manta e faço passar os meus dedos por entre os canudos do seu cabelo.
E ele dorme como um anjo.
Durante a noite, em sonhos, diz-me que é uma menina.
Curiosa, quero saber o seu nome. Sorridente, ela por fim responde:
"Mamã, o meu nome é Júlia".
Tem cabelos de anjo, soltos em pequenos canudos dourados.
Tem cheiro de anjo, um cheiro doce como o leite açucarado.
Tem olhos de anjo, meigos e cintilantes como estrelas.
Tem pele de anjo, macia como o veludo de um pêssego.
Será um anjo caído do céu?
Todas as noites um anjo desce à terra e aterra no meu quarto.
E eu faço-lhe a cama, aconchego-lhe a manta e faço passar os meus dedos por entre os canudos do seu cabelo.
E ele dorme como um anjo.
Durante a noite, em sonhos, diz-me que é uma menina.
Curiosa, quero saber o seu nome. Sorridente, ela por fim responde:
"Mamã, o meu nome é Júlia".
Um prédio amarelo
Vivo no quarto andar de um prédio amarelo.
São quatro andares vezes dois lados, esquerdo e direito.
Além da porta ao lado, onde nunca bati, existem mais oito portas onde se escondem umas dezenas de perfeitos desconhecidos.
Já vislumbrei alguns rostos de soslaio, por entre uma e outra viagem de elevador.
Elevador acima, escada abaixo, a porta da rua é o único ponto de encontro destes anónimos que fazem questão de não se dar a conhecer.
Já ouvi o choro de crianças. Alguns devem ter filhos. Mas a minha filha não tem amigos. Eles não saem da toca para brincar.
O meu prédio amarelo é um aglomerado de gavetas onde as pessoas se escondem quando voltam do trabalho. Comem, dormem e voltam a sair. Sem tempo nem vontade para se conhecer.
E os dias passam e nada muda. Vejo roupa estendida. Oiço-os furar paredes e aspirar o chão. Suspeito que mora lá alguém.
Tenho vizinhos mas não tenho amigos, no meu prédio amarelo.
Para compensar, consigo ver o mar. Lá ao longe, o farol acena-me de noite, como se me quisesse falar.
Se pudesse dir-me-ia: "Não fiques triste, logo logo o Verão voltará de férias".
É bonito o meu prédio amarelo com vista para o mar, onde me escondo da noite e acordo para o dia, dia após dia.
São quatro andares vezes dois lados, esquerdo e direito.
Além da porta ao lado, onde nunca bati, existem mais oito portas onde se escondem umas dezenas de perfeitos desconhecidos.
Já vislumbrei alguns rostos de soslaio, por entre uma e outra viagem de elevador.
Elevador acima, escada abaixo, a porta da rua é o único ponto de encontro destes anónimos que fazem questão de não se dar a conhecer.
Já ouvi o choro de crianças. Alguns devem ter filhos. Mas a minha filha não tem amigos. Eles não saem da toca para brincar.
O meu prédio amarelo é um aglomerado de gavetas onde as pessoas se escondem quando voltam do trabalho. Comem, dormem e voltam a sair. Sem tempo nem vontade para se conhecer.
E os dias passam e nada muda. Vejo roupa estendida. Oiço-os furar paredes e aspirar o chão. Suspeito que mora lá alguém.
Tenho vizinhos mas não tenho amigos, no meu prédio amarelo.
Para compensar, consigo ver o mar. Lá ao longe, o farol acena-me de noite, como se me quisesse falar.
Se pudesse dir-me-ia: "Não fiques triste, logo logo o Verão voltará de férias".
É bonito o meu prédio amarelo com vista para o mar, onde me escondo da noite e acordo para o dia, dia após dia.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Quero escrever o mundo e a história dos que não têm voz
Hoje tomei uma decisão. Vou começar a escrever, simplesmente porque gosto. As palavras emocionam-me. E penso que isso quer dizer alguma coisa. Talvez tenha um Dom e não o esteja a aproveitar devidamente. Para já, vou começar apenas a escrever porque gosto. E, quem sabe, um dia alguém venha a descobrir o que escrevo, gostando tanto de me ler como eu gosto de escrever.
O poder da palavra
A palavra é uma arma. Quando sai disparada na direcção de alguém, pode ferir.
Mas é também um bálsamo que, na dose certa, pode curar, amenizar, suavizar todos os males.
A palavra é poderosa. Ela ordena, ela condena, ela impõe, ela retira.
A palavra é o nosso bem mais precioso.
A palavra escrita, a palavra dita, a palavra ouvida.
As palavras são como penas que dançam ao vento.
As palavras emocionam-me!
São elas que me fazem rir, chorar, sentir.
São elas que me fazem falta quando não tenho palavras.
São elas que me dão força quando mais preciso dela.
São elas que me movem na busca do que quero encontrar.
Palavras leva-as o vento?
Pois ele que as leve numa bonita dança que eu fico aqui para ver.
Mas é também um bálsamo que, na dose certa, pode curar, amenizar, suavizar todos os males.
A palavra é poderosa. Ela ordena, ela condena, ela impõe, ela retira.
A palavra é o nosso bem mais precioso.
A palavra escrita, a palavra dita, a palavra ouvida.
As palavras são como penas que dançam ao vento.
As palavras emocionam-me!
São elas que me fazem rir, chorar, sentir.
São elas que me fazem falta quando não tenho palavras.
São elas que me dão força quando mais preciso dela.
São elas que me movem na busca do que quero encontrar.
Palavras leva-as o vento?
Pois ele que as leve numa bonita dança que eu fico aqui para ver.
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