Acordei com a vontade faminta que a noite não
soube adormecer. Comecei as tarefas do dia sem conseguir repousar a distracção.
Estavas em cada objecto como um fantasma. Vejo-te mas não estás ali. Imagino-te
apenas, mas tanto me pesa carregar-te para todo o lado. Preciso descarregar-te
de mim. Hoje quero depositar-me num abraço teu, como quem cai num poço sem
fundo. Vou procurar-te na surpresa que não esperas. Fazer-te borbulhar no
descontrolo do medo. Vou encontrar-te na rua dos amores-perfeitos, quase às
portas do céu. Vais poupar nas palavras, fixar-te na atenção dos outros sentidos.
Quando me vires, serei toda contornos e cores, pele suave e cheiro doce. E tu
serás a felicidade disfarçada numa vergonha infantil. No momento em que os
teus olhos e os meus olhos se encontrarem num sorriso, seremos um instante para
sempre. Dois corpos que se amam num alívio apertado. Um abraço que é um aperto
de silêncios, o reencontro sonhado com a outra metade de nós.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
O abraço
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Amor,
Desabafos salteados
Diário de uma ninfomaníaca
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| "Diario de una ninfómana", Christian Molina, 2008 |
Não se deixe impressionar pelo título:
o que vou escrever a seguir não é susceptível de bolinha vermelha no canto
superior do ecrã. Este é apenas o nome de um livro - que nunca li mas já tinha
ouvido falar - que o realizador espanhol Christian Molina transformou em filme
em 2008. Há dias, num “zapping” pelo videoclube, por curiosidade, arrisquei ver
esta película. Ao contrário do que à partida imaginei, “Diário de uma
ninfomaníaca” é um filme que pouco tem de pornográfico. É antes uma
desconcertante exposição sobre a confusão dos sentimentos humanos e a sua
relação com os comportamentos sexuais. Perturbadores e comoventes, muitas
mulheres podem identificar-se com os pensamentos confessados por Valérie (a
protagonista) no seu diário. Esta obra revelou-se, para mim, um importante
retrato do pensamento feminino reprimido pelas duras regras do socialmente
aceite. E se me é permitida uma opinião, em pleno século XXI não faz qualquer
sentido continuar a educar as mulheres para não gostarem de sexo, quando isso é
um direito nato ao prazer. E o próprio corpo é, e será sempre, a mais pura,
natural e próxima fonte de o buscar. Se ficou curioso, veja o filme, que é
breve e vale bem a pena.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Quadras aos namorados
Porque
te demoras amor?
Quando
o tempo é tão breve
O
que tem de ser não se espera
Antes
que a vida nos leve
Antes que a vida nos leve
Temos mil sonhos a cumprir
Corre para o primeiro,
abraça-me
Vamos juntos sorrir
Vamos juntos sorrir
De mãos dadas ao luar
É o que fazem os namorados
Mesmo depois de casar
Mesmo depois de casar
Há quem saiba ser feliz
Aprender a arte de amar
É tudo o que sempre quis
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Sabor a Lisboa
Lisboa tem milhares de pernas, sempre apressadas para ir a algum lugar. Se possível fosse silenciar outros ruídos, Lisboa seria um ecoar de passos ritmados em marcha, um exército de pés calçados, um aplauso de solas à calçada portuguesa.
Lisboa
tem olhos distraídos de pensamentos vagos em qualquer coisa por fazer. De todos
os lados, a beleza da cidade acena e sorri. Só os turistas reparam e param para
a contemplar. Os residentes ignoram o redor, sempre cabisbaixos, com a
atenção virada para dentro, levando o desprezo de nariz de fora.
Lisboa
tem uma boca gulosa, de creme de nata e canela, de pastel quente acabado de
trincar. O beijo lisboeta sabe a bica. E toda a cidade se move a cafeína. Os
balcões já nem estranham o colar e descolar de corpos. Sai uma italiana! O
pedido é curto e bebe-se num gole.
Lisboa
tem hálito quente, temperado a sal, salpicado a sol. É Belém em frente ao Tejo,
o doce e o salgado a disputar, se a cidade é feita de nata ou se é um sonho feito de luz, numa noite pensado ao luar.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Carta ao meu futuro amor
Escrevo-te
deste instante chamado presente, esperando encontrar-te numa esquina de um
futuro próximo.
Poderás
ser quem procuro, se souberes ler-me nas entrelinhas, sem demasiados pontos de
interrogação.
Serás
tu capaz de envolver-me os sentimentos sem me prender as vontades?
Ao
menos, tenta. Deixa-me ir e voltar sem pressas, aguardando-me nessa ansiedade
tranquila de coração apertado.
Desejo
um amor de ninho, não de gaiola. Consigo ver-nos juntos a construir conforto,
cada um voando por si em busca de sustento feliz. Dois pássaros que somos,
poderemos multiplicar-nos num bando, se quiseres.
Sabes,
muitas vezes fecho-me a sós com os meus pensamentos, não leves a mal. Poderás
juntar-te a nós, sempre que eu deixar a porta aberta. Se aprendermos a
adivinhar os silêncios um do outro, saberemos tudo o que mais importa.
Há
uma coisa que terás de me prometer: que os teus olhos serão capazes de me
ampliar outras qualidades, quando a beleza me fugir. Deixa lá, não prometas
nada. Se cumprires é quanto baste.
Se
me fores amável, talvez te seja sempre fiel, como um cachorro sem trela que
obedece e respeita livremente a quem só lhe quer bem.
É
assim que te desejo, travesseiro dos meus cansaços, montanha russa das minhas
euforias: que sejas a revelação de um mundo novo, livre de velhos vícios,
descortinado de novos hábitos, onde juntos seremos capazes de fintar
alegremente as tarefas da infelicidade rotineira dos casais.
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Menino de ouro
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| Cristiano Ronaldo: o melhor futebolista do mundo e o primeiro português a ganhar duas bolas de ouro (2008, 2013) |
Gostava de um dia sentir o que sentiu
hoje dona Dolores. O seu filho, um ser do seu corpo nascido, é o melhor do
mundo naquilo que faz. Haverá maior orgulho para uma mãe? Todas desejam o
melhor para os seus meninos. A maioria são mães de filhos que tentam, que se
esforçam, que quase conseguem. Mas dona Dolores é mãe de um sonho a quem um dia
chamou Ronaldo, em homenagem ao presidente americano. O menino de dona Dolores
cresceu. Cinco anos de luta fizeram dele um homem. Após a primeira bola de
ouro, Cristiano Ronaldo julgou-se capaz de tocar o céu. Aos vinte e poucos anos
estava nas nuvens e pensava que estalar um dedo bastava para subir mais alto. São
as lições que nos dão a maturidade. E as lágrimas de hoje foram as de um homem
que aprendeu a lição. Ser o melhor, não é ser o maior, é apenas ser o mais
completo. Ronaldo sabe hoje que assim é, mas aprendeu-o a custo: o sucesso dá
muito trabalho. E o homem que troca as palavras que não tem pelas lágrimas que
não consegue conter é o exemplo de que não há vitória sem sofrimento. E agora
Ronaldo, até onde vais? Correrás atrás da bola, até onde ela te guiar? Ou
voarás até ao Brasil para, num salto de gigante, nos realizares o sonho português de
um mundial?
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Voa, pantera negra
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| Eusébio da Silva Ferreira, 1942-2014 |
Hoje apetece-me
dizer que a morte pode ser muito bonita quando celebrada com glória.
Num atípico dia
de reis, Portugal permitiu-se vestir um luto encarnado pelo seu “pantera negra”.
O Eusébio era nosso, um pedaço de país em corpo de homem, um nome que sozinho
nos abria fronteiras. Lembro-me de ser miúda e ouvir dizer: no dia em que o
Eusébio morrer, vai ser feriado nacional. Esse dia chegou e o país, a meia-haste, de facto parou.
Nasci demasiado
tarde para o ver jogar ao vivo, mas cedo me apercebi que o Eusébio era alguém a
respeitar. Mas ele só jogava à bola, não sabia fazer mais nada, era quase
analfabeto, porquê ser tão importante? Durante anos não percebi. Parecia-me
excessiva tamanha veneração por um mero jogador de futebol.
Hoje, ao ver as arrepiantes imagens de um estádio a aplaudir de pé um caixão, ao ver as ruas da
capital vestidas de cachecóis de todas as cores a bater palmas à passagem de um
carro funerário, ao ver estátuas coroadas de flores, entendi todos os porquês.
Não é preciso tirar
três cursos superiores, dois mestrados e um doutoramento. Não é importante ser
bem-falante, nem nascer rico, nem nascer branco. O essencial é descobrir o que
se gosta de fazer na vida e fazê-lo bem. Fazê-lo com vontade genuína, não pelo
dinheiro que dá mas pela felicidade que traz. Se a sorte, num momento de inspiração,
nos fizer geniais na nossa discreta humildade, alguém irá reparar, o aplauso
irá soar, o público irá sorrir, a história irá eternizar.
Hoje, apesar das
lágrimas, não houve tristeza. Até o céu só chorou saudade. Como se o universo,
pelos seus meios, fizesse questão de abençoar o menino que nasceu povo e foi
capaz de, humildemente, morrer rei.
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Morte
sábado, 4 de janeiro de 2014
Índice médio de felicidade
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| "Índice médio de felicidade", David Machado, 2013 |
“Numa escala de zero a dez, quão
satisfeito se sente com a vida no seu todo?”. É em torno desta questão que gira
toda a história narrada por Daniel, o protagonista deste que é o mais recente livro
de David Machado. O personagem - que vê a sua vida colapsar, após perder o
emprego, a casa e, consequentemente, a mulher e os filhos, que se vêem forçados
a ir viver para longe por força das circunstâncias – trava uma luta incansável
pela não resignação e resgate de toda e qualquer esperança. O que nos resta
quando perdemos os pilares da nossa existência? Será possível perder-se tudo o
que se julga indispensável e ainda assim ser-se feliz? Esta é uma obra que nos
cativa e seduz pela franqueza nua da realidade exposta e nos vai fazendo
levantar questões muito pertinentes sobre a nossa própria vida. É impossível
fechar este livro sem sentir admiração pela determinação de Daniel, um
personagem inspirador do qual nos lembraremos certamente, como uma referência,
sempre a vida se complicar. Uma obra recente, de temática muito actual, que
confirma este jovem autor como membro de uma nova geração de talentos da
literatura portuguesa. Recomendadíssimo!
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domingo, 29 de dezembro de 2013
Quilómetro zero
Fim de ciclo. Hora de despertar e renascer. Tempo
de um novo recomeço. Um apelo à correcção de teimosos hábitos entranhados que
nos adormecem os sentidos travando a evolução. Uma nova oportunidade de partir
em busca de descobertas infinitas. As escolhas são sempre múltiplas e a aposta
nem sempre certeira. A caça é tantas vezes feita de tiros ao lado. Mas
perseguir um alvo é sempre um objectivo que nos move. Um passo em frente, um
salto adiante, um pulo mais alto, um voo mais longe. Avançar é o verbo que
sempre se impõe. Desejar. Sonhar. Lutar. Realizar. Por vezes perder.
Escorregar. Cair. Sacudir o pó. Reerguer-se. Voltar a acreditar. De novo lutar.
Esforço. Fraqueza. Quase desistir. Já falta pouco. Insiste. Se fores capaz de
continuar, um dia chegas lá. Um dia hás-de ganhar. O prémio é continuar a ter
tempo para fazer e refazer. Toda a vida, por mais longa que seja, será sempre
uma obra frustrantemente inacabada. Desliga e volta a ligar. Reinicia o contador e acelera, rumo à
próxima paragem.
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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Mandela: longo caminho para a liberdade
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| "Mandela: long walk to freedom"; Realizador: Justin Chadwick; Protagonistas: Idris Elba (Mandela), Naomi Harris (Winnie). |
Fui há poucos
dias ver este filme que abrevia vinte e sete longos e tortuosos anos de
cativeiro em duas horas e meia. E saí da sala de cinema a considerar que o
realizador desta película - inspirada na autobiografia homónima de Nelson
Mandela, publicada em 1994 - aligeirou demasiado a história. Ainda que seja vincado,
quer o isolamento, quer o clima de tortura e humilhação a que Mandela foi
submetido na prisão de Robben Island, é fácil abandonar-se a sala com a vontade
de querer ver mais, de saber mais, de ler o livro que testemunha, na primeira
pessoa, o drama de quem viveu assim: abdicando da sua liberdade em prol da luta
pelo direito à igualdade social dos seus semelhantes. A surpresa do filme, para
mim, foi a revelação do papel de Winnie ao lado da luta do grande líder. A
segunda mulher de Mandela, mãe de duas filhas que cresceram sem ver o pai, é
evidenciada como o eco da voz do marido do lado de fora das grades, o pilar da
resistência que se empenhou ferozmente na disseminação das convicções
anti-apartheid. Conforme pode ver-se na película, Mandela, que afirmou estar
disposto a morrer pela sua causa, escapou à pena de morte, mas suportou, com a
maior dignidade, um terço da vida em reclusão. Com sabedoria e humildade,
ganhou o respeito universal, reconquistou a liberdade e tornou-se o primeiro
presidente negro da África do Sul. O homem que foi capaz de conquistar a
amizade dos seus carcereiros, e de lhes agradecer por o terem tornado uma
pessoa mais forte, ficará para sempre gravado, como um exemplo, na memória histórica
da humanidade. Este filme ficará como mais um documento, destacando-se o
excelente desempenho dos protagonistas. Para concluir, deixo o tema dos U2 –
“Ordinary love” - que tão bem me soou no
final do filme.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Noite feliz
O espírito acende-se na árvore e aos poucos em cada um de nós. Não há quem lhe seja imune. Gostamos do Natal porque é uma noite sem medo, de ruas e casas muito iluminadas. De estradas desertas e casas lotadas. Uma noite onde até as solidões se confortam de azeite morno derramado no bacalhau. Porque nesta noite até os sem tecto são chamados a sentar-se à mesa diante de um prato quente. Há mais mantas para distribuir e tendas abertas ao convívio dos que se habituaram a chamar cama às pedras da calçada. É a noite mais tranquila de todas as noites porque o mundo, por umas horas, se aquieta e respira. Até os escravos da idade moderna tem ordem para partir em liberdade. Facturam até ao último instante os esquecimentos de alguém e suspiram sonhos quando chega a tão esperada hora de jantar. Os que têm a sorte de sentar-se à mesa, gostam de a ter farta das suas tradições. É a noite do vale tudo, comer e beber e repousar dos sacrifícios passados. Olhar com vagar e descobrir novas rugas nos rostos de quem há muito não se via. Sentir que cada lugar vazio ocupa todo o espaço do pensamento. Reencontrar em cada nova vida que corre pela casa a alegria que faz adormecer a saudade. Mesmo quando não há presentes, é a noite em que se desembrulham todas as lembranças: quando a avó cozinhava, quando o pai ainda estava aqui, quando era eu a criança dona de todas as euforias e risos. Quando o Natal era uma festa, eu ainda acreditava que podia tudo e que toda a gente durava para sempre. Dizia Natal com o espanto alegre de quem vê uma chuva de estrelas enquanto pede desejos. Este ano portei-me bem, mereço um presente. E mesmo quando me portava mal os presentes apareciam. A vida era a magia de ver acontecer o que se deseja. Como no circo, varinha mágica no chapéu e coelho a sair da cartola. Ainda que o Natal já não seja o que foi, será sempre uma linha imaginária que marca a mudança dos medos. Uma troca de esperanças assinalada com a troca de presentes. É tempo de reciclar objectos e sentimentos. Trocar o velho pelo novo, eliminar o que já não se quer, abrir espaço para que entre o melhor.
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domingo, 15 de dezembro de 2013
A desumanização
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“A desumanização”, Valter Hugo Mãe, 2013
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O que dizer de Valter Hugo Mãe, um escritor que chegou viu e venceu? Se há pessoas que nascem com o dom da palavra, ele foi um deles. Não tem, porém, uma escrita fácil nem consensual. Só um apreciador de belas artes gostará de lê-lo. A escrita de Hugo Mãe roça o surrealismo e causa por vezes estranheza, antes do verdadeiro prazer. Nunca o tinha lido enquanto romancista, confesso. Há muito que sigo as suas crónicas no Jornal de Letras e noutras publicações, apreciando-lhe o estilo: frontal e cristalino, por vezes de uma inocência infantil, sempre a prosar de olho na poética que cada entrelaçar de palavras pode encerrar. A leitura deste seu último romance - “A desumanização” – vem confirmar-me a ideia de que estamos diante de um grande escritor português, com um estilo muito vincado, onde uma obsessiva busca pela literalidade se sobrepõe sempre ao valor da história. Há momentos em que quase esquecemos o conteúdo narrado e nos deleitamos apenas a admirar a construção frásica e as analogias encontradas para nos expor diante uma imagem que contemplamos como um amante de arte. Este é um livro só para leitores maduros. Não recomendado aos que apenas lêem por mera distracção. A busca do sentido da vida por uma gémea dos fiordes islandeses, que acaba de perder a irmã que lhe servia de espelho, é um mero pano de fundo para as mil e uma divagações do autor sobre os mais diversos temas com que se confronta toda a existência humana.
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