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| "Dica da Semana", edição regional Algarve, 3 de Abril de 2014 |
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Reportagem # 4
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terça-feira, 1 de abril de 2014
Matéria-prima
A palavra é o meu tijolo. Arremesso-a
todos os dias, não para erguer muros mas para construir pontes, elos de ligação
entre as pessoas. Gosto de palavras firmes que não sejam rígidas. Não gosto de
palavras duras, feitas de pedra. Gosto delas suaves, parecidas com plasticina, as
que se deixam moldar à situação e têm o efeito balsâmico de um abraço. Todas as
palavras deveriam ser usadas para unir, erguer, construir. A amizade é uma
palavra funda: dentro dela cabe um poço de palavras. O amor é uma palavra-mistério: todos o sentem, ninguém o viu. É como o vento, atravessa-nos o
corpo, desarruma-nos as ideias e lá vai, voltando sempre, inesperado, voando selvagem.
A palavra é o esboço de quem não sabe desenhar. Aos olhos de um escritor, todo
o mundo é um puzzle de palavras encaixadas, onde sempre faltam ou sobram peças.
Toda a palavra pode, toda a palavra muda. Por isso, lança as tuas palavras. Mesmo
baralhadas como as cartas, elas têm poder. Ao não as usares, abdicas de ser
quem és, e estarás condenado a viver escondido num buraco solitário chamado
silêncio.
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quinta-feira, 27 de março de 2014
Reportagem # 3
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domingo, 23 de março de 2014
Dá tempo ao tempo
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| "About time", Richard Curtis, 2013 |
Um
filme que vi há dias inspirou-me o tema. Até porque nunca houve conselho mais
sábio que me agastasse tanto. Porque viver implica esperar, crescer para
aparecer. Não somos a casa pronta, chave na mão. Nascemos um edifício vazio que
a vida vai mobilando. Com a idade, nós casas, vamos crescendo, ganhamos
divisões. O mobiliário, esse, vai chegando a conta-gotas, com o passar do
tempo. Uma tragédia aqui, uma alegria ali, uma descoberta acolá. A aprendizagem
começa por exibir-se nua e acaba fechada em gavetas, como os objectos que
possuímos, muitas vezes sem saber porquê, tantas vezes sem saber para quê. Adiante,
tudo acaba por fazer sentido. Nada acontece cedo nem tarde demais. Nós é que
vivemos na eterna esperança em que algo nos aconteça já. Ou, por vezes, simplesmente
não vivemos, temendo o que nos possa acontecer. E se pudéssemos voltar atrás,
àquele instante que determinou uma mudança na nossa vida, e fazer tudo de novo,
de outra maneira? É esta a pergunta que levanta o filme “Dá tempo ao tempo”,
uma história que alterna, de forma equilibrada, entre a comédia e o drama, estimulando
a reflexão. Ao chegar ao fim, o jovem Tim acaba por descobrir que, apesar do
seu super-poder de viajante no tempo, não é preciso grandes manobras para a nossa vida ser exactamente
aquilo que deveria ser: de certa forma, perfeita à sua maneira.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Reportagem # 2
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Reportagem # 1
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terça-feira, 11 de março de 2014
Parto sem dor
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| 11 de Março de 2008, berçário do Hospital de Santa Maria, Lisboa |
Fui a conduzir para o hospital.
Não suspeitava que pudesse ter de passar lá a noite, por isso levava como única
bagagem a discreta barriga de oito meses. A tensão a subir, eram só uns
exames de rotina a pedido do médico, pura precaução, afinal “ainda falta muito
tempo”, pensava eu. Estava longe, muito longe de imaginar que daí a poucas
horas estaria em pânico com uma bebé prematura nos braços. Fui mãe sem dores de
parto. Lamento até hoje desconhecer o significado de uma contracção. Fui
poupada ao ridículo de me ver com uma poça de água aos pés, como se urinasse
sem sentir. Não, eu não sei. Sou mãe sem conhecer os gritos de dor dos partos
romanceados. Acordei de uma anestesia geral, recordando-me
lentamente quem era e onde estava. E poucos minutos depois, ainda atordoada e
dormente, vi entrar uma enfermeira com um bebé nos braços. “Acho que é sua!” – Disse-me,
em tom de brincadeira. Sem saber ainda o que fazer ou pensar ou dizer,
estendi-lhe os braços e desajeitadamente segurei-te contra o meu peito. Eras
dois quilos da mais pura perfeição. E a partir desse instante, noite e dia, dia
e noite, eu tinha a obrigação de zelar para que nada te faltasse. Antes de
conseguir ficar feliz, tive medo: a partir de agora era a sério, ia mesmo
começar a ser mãe! A tua mãe. Não fui a primeira pessoa a
ver-te, mas dizem que eras um sopro de vida numa caixinha de vidro. Nem
respirar ainda sabias. Eras incapaz de mamar. Manter-te viva tornou-se a minha
missão. Dentro de mim batem desde então dois corações. O teu e o meu. Tudo
começou, faz hoje seis anos.
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segunda-feira, 10 de março de 2014
Dom Casmurro
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| "Dom Casmurro", Machado de Assis, edição Dom Quixote |
Há mais de dez anos que adiava a leitura deste livro. Sabia-o
importante, mas a edição que tinha em casa era de letra miudinha, pouco
convidativa aos olhos. No início do ano, esbarrei com esta capa da Dom Quixote
numa prateleira da FNAC e Dom Casmurro escolheu-me: leitora, tens de me levar
contigo! "Um dos 1000 livros que todos devemos ler", destacava um
autocolante vermelho, a título de recomendação do "Guardian".
Ao chegar ao fim das 309 páginas deste clássico da literatura
brasileira, escrito por Machado de Assis no final do século XIX, editado em
1900, sinto-me mais culta e rica em palavras. Sem utilizar vocábulos caros, a
linguagem de Machado de Assis é acessível e cativante do princípio ao fim. O
romance está organizado em 148 minúsculos capítulos de 1/2 páginas, o que
proporciona uma leitura fluída e contínua muito agradável. A história de amor
de Bentinho e Capitú vai sendo narrada por etapas muito bem delimitadas no
espaço e no tempo, fazendo-nos viajar ao lado dos personagens com atenção e
deleite. Mais do que o enredo, quanto a mim básico, envolveu-me o modo de jogar
com as palavras de Machado de Assis. Para todos aqueles que temem a leitura dos
clássicos, por serem maçadores, recomendo que comecem por este: não será por
acaso que Dom Casmurro é considerado uma obra-prima da literatura brasileira.
Missão cumprida da minha parte. Já posso viajar para terras de Vera Cruz
levando na bagagem cultural o conteúdo de Dom Casmurro, para discutir com algum
intelectual de sotaque adocicado.
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domingo, 2 de março de 2014
Livro em branco
Era uma vez nós dois
Num encontro imprevisto
O encanto aconteceu
Não mais nos vimos depois
E a saudade foi pousando
Dor leve que vai pesando
Foi o que sentimos os dois
Treinando o esquecimento
Nossos dias vão passando
Tentando varrer soprando
O mais nobre sentimento
Era uma vez nós dois
Assim começa a história
Que nos cabe inventar
Até ao fim da memória
sábado, 15 de fevereiro de 2014
O abraço
Acordei com a vontade faminta que a noite não
soube adormecer. Comecei as tarefas do dia sem conseguir repousar a distracção.
Estavas em cada objecto como um fantasma. Vejo-te mas não estás ali. Imagino-te
apenas, mas tanto me pesa carregar-te para todo o lado. Preciso descarregar-te
de mim. Hoje quero depositar-me num abraço teu, como quem cai num poço sem
fundo. Vou procurar-te na surpresa que não esperas. Fazer-te borbulhar no
descontrolo do medo. Vou encontrar-te na rua dos amores-perfeitos, quase às
portas do céu. Vais poupar nas palavras, fixar-te na atenção dos outros sentidos.
Quando me vires, serei toda contornos e cores, pele suave e cheiro doce. E tu
serás a felicidade disfarçada numa vergonha infantil. No momento em que os
teus olhos e os meus olhos se encontrarem num sorriso, seremos um instante para
sempre. Dois corpos que se amam num alívio apertado. Um abraço que é um aperto
de silêncios, o reencontro sonhado com a outra metade de nós.
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Diário de uma ninfomaníaca
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| "Diario de una ninfómana", Christian Molina, 2008 |
Não se deixe impressionar pelo título:
o que vou escrever a seguir não é susceptível de bolinha vermelha no canto
superior do ecrã. Este é apenas o nome de um livro - que nunca li mas já tinha
ouvido falar - que o realizador espanhol Christian Molina transformou em filme
em 2008. Há dias, num “zapping” pelo videoclube, por curiosidade, arrisquei ver
esta película. Ao contrário do que à partida imaginei, “Diário de uma
ninfomaníaca” é um filme que pouco tem de pornográfico. É antes uma
desconcertante exposição sobre a confusão dos sentimentos humanos e a sua
relação com os comportamentos sexuais. Perturbadores e comoventes, muitas
mulheres podem identificar-se com os pensamentos confessados por Valérie (a
protagonista) no seu diário. Esta obra revelou-se, para mim, um importante
retrato do pensamento feminino reprimido pelas duras regras do socialmente
aceite. E se me é permitida uma opinião, em pleno século XXI não faz qualquer
sentido continuar a educar as mulheres para não gostarem de sexo, quando isso é
um direito nato ao prazer. E o próprio corpo é, e será sempre, a mais pura,
natural e próxima fonte de o buscar. Se ficou curioso, veja o filme, que é
breve e vale bem a pena.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Quadras aos namorados
Porque
te demoras amor?
Quando
o tempo é tão breve
O
que tem de ser não se espera
Antes
que a vida nos leve
Antes que a vida nos leve
Temos mil sonhos a cumprir
Corre para o primeiro,
abraça-me
Vamos juntos sorrir
Vamos juntos sorrir
De mãos dadas ao luar
É o que fazem os namorados
Mesmo depois de casar
Mesmo depois de casar
Há quem saiba ser feliz
Aprender a arte de amar
É tudo o que sempre quis
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