No dia 25 de Abril de 1974, eu ainda não estava. Por
isso, não vou contar o que não vivi. Prefiro antes revelar o que sonho e sinto.
Sonho com uma realidade evoluída, onde ninguém tenha de trabalhar com o esforço
de um atleta olímpico para ser remunerado como um amador. Sonho com uma
esperança de berço: que cada bebé que nasça seja um cérebro útil ao serviço do
seu país. Porque, a cada geração que passa, os filhos vão sendo cada vez
melhores que os pais, ou não fosse esse o objectivo único da humanidade. Nascer,
aprender, melhorar e passar o testemunho. Sonho com uma geração que não sinta o
dia 25 como se fosse o 35 de cada mês. Que não haja mais mês que salário, muito
pelo contrário! Que o trabalho tenha um preço justo e adequado ao saber fazer
de cada um. Sonho com um país que - como li algures há dias - deixe de fazer
famosa tanta gente estúpida, remetendo ao anonimato os que realmente conquistam
feitos geniais. Enfim, perdoem-me o desabafo de meia-noite, mas é o que sonho e sinto. E não
minto. Tenho quase 35 quando passam 40 anos da revolução dos cravos. E
apetece-me, pela calada da noite, lançar um repto à minha geração (à rasca): para quando a revolução
dos (es)cravos? Temos o dever de ser melhores que os nossos pais!
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Reportagem # 7
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
Reportagem # 6
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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Mensagem de condolências
Perder
a mãe é uma amputação. É sentir a morte arrancar-nos um membro à dentada. A
partir daí, tudo será como aprender a fazer tranças com uma só mão. No início, vai
parecer impossível. Será como caminhar com uma só perna. Coxeando e caindo, sem
ter quem nos apare. Viver sem mãe deve parecer-se a caminhar sem chão. Escrevo
no domínio da suposição, porque felizmente não sei o que isso é.
Provavelmente, se a lei da vida não atraiçoar as contas, um dia essa dor irá tocar-me. Que buraco fundo a falta de um mãe consegue escavar! De
um pai sente-se a falta. Muita. Mas uma mãe sai de nós como um dia saímos dela: com um grito de parto. Um dia, quase todas as mães juraram não aguentar as
dores de um outro corpo a sair do seu. Assim serás, minha mãe. Quando partires,
vais deixar-me de herança um longo trabalho de parto. Sozinha, terei de parir
forças para suportar esta vida sem ti. Se ao menos pudesses dizer-me onde
reencontrar o calor das tuas mãos…
(Dedicado a uma mãe-coragem que ontem partiu)
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
Reportagem # 5
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segunda-feira, 7 de abril de 2014
Desejo de renascermos juntos
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| Para ti, "belo adormecido". |
Sinto-me como se, num dado instante, tivesses
depositado em mim uma semente chamada encanto, que a cada lágrima se rega e
cresce, criando rebentos que não param de ramificar. Cresces em mim como um
desejo de reencontro com algo que nasci para conhecer. Se possível fosse
engravidar os pensamentos, isso seria o que estou a sentir. Quanto mais penso,
mais cresces em mim, como um filho que um dia terá imperativamente de nascer.
Esse dia será um milagre. E nós, que não somos santos, cederemos ao prazer da
carne, regressando às origens, como se a vida nos desse uma segunda chance para
renascer.
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quinta-feira, 3 de abril de 2014
Reportagem # 4
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terça-feira, 1 de abril de 2014
Matéria-prima
A palavra é o meu tijolo. Arremesso-a
todos os dias, não para erguer muros mas para construir pontes, elos de ligação
entre as pessoas. Gosto de palavras firmes que não sejam rígidas. Não gosto de
palavras duras, feitas de pedra. Gosto delas suaves, parecidas com plasticina, as
que se deixam moldar à situação e têm o efeito balsâmico de um abraço. Todas as
palavras deveriam ser usadas para unir, erguer, construir. A amizade é uma
palavra funda: dentro dela cabe um poço de palavras. O amor é uma palavra-mistério: todos o sentem, ninguém o viu. É como o vento, atravessa-nos o
corpo, desarruma-nos as ideias e lá vai, voltando sempre, inesperado, voando selvagem.
A palavra é o esboço de quem não sabe desenhar. Aos olhos de um escritor, todo
o mundo é um puzzle de palavras encaixadas, onde sempre faltam ou sobram peças.
Toda a palavra pode, toda a palavra muda. Por isso, lança as tuas palavras. Mesmo
baralhadas como as cartas, elas têm poder. Ao não as usares, abdicas de ser
quem és, e estarás condenado a viver escondido num buraco solitário chamado
silêncio.
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quinta-feira, 27 de março de 2014
Reportagem # 3
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domingo, 23 de março de 2014
Dá tempo ao tempo
![]() |
| "About time", Richard Curtis, 2013 |
Um
filme que vi há dias inspirou-me o tema. Até porque nunca houve conselho mais
sábio que me agastasse tanto. Porque viver implica esperar, crescer para
aparecer. Não somos a casa pronta, chave na mão. Nascemos um edifício vazio que
a vida vai mobilando. Com a idade, nós casas, vamos crescendo, ganhamos
divisões. O mobiliário, esse, vai chegando a conta-gotas, com o passar do
tempo. Uma tragédia aqui, uma alegria ali, uma descoberta acolá. A aprendizagem
começa por exibir-se nua e acaba fechada em gavetas, como os objectos que
possuímos, muitas vezes sem saber porquê, tantas vezes sem saber para quê. Adiante,
tudo acaba por fazer sentido. Nada acontece cedo nem tarde demais. Nós é que
vivemos na eterna esperança em que algo nos aconteça já. Ou, por vezes, simplesmente
não vivemos, temendo o que nos possa acontecer. E se pudéssemos voltar atrás,
àquele instante que determinou uma mudança na nossa vida, e fazer tudo de novo,
de outra maneira? É esta a pergunta que levanta o filme “Dá tempo ao tempo”,
uma história que alterna, de forma equilibrada, entre a comédia e o drama, estimulando
a reflexão. Ao chegar ao fim, o jovem Tim acaba por descobrir que, apesar do
seu super-poder de viajante no tempo, não é preciso grandes manobras para a nossa vida ser exactamente
aquilo que deveria ser: de certa forma, perfeita à sua maneira.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Reportagem # 2
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Reportagem # 1
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