Andamos a viver em função do momento de alívio. Na vida, todos os pensamentos vão
dar ao prazer. E sempre que ele acontece, o mundo pára. Há segundos que valem por anos, risos perpetuados
nos ecos da memória. Nesses momentos, estar-se vivo revela-se um milagre ainda
maior. Empreendemos dias e suores de esforço em prol de uns segundos de
libertação. Deixar de pensar, apenas sentir. A felicidade é aquele instante de
ilusionismo em que a percepção anula a preocupação. O tempo fica suspenso. Há
um dedo invisível que bloqueia a progressão dos ponteiros do relógio. O sorriso
rasga-se e o universo amplia-se. Nesse ápice, tudo volta a ser possível. Andamos
carentes de viver. À falta de tempo para vivências, somos perseguidos pelas lembranças. Antes de adormecer, eu volto todos os dias ao último lugar onde fui feliz. Era noite e a
minha almofada era o teu peito.
terça-feira, 27 de maio de 2014
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Reportagem # 9
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Olhar com o coração
És
como eu gosto. Que me importam outros olhos e outras vozes. Somos todos sempre
mais do que fazemos parecer. Quero abrir o saco que carregas e espreitar lá
para dentro. Por entre os destroços da vida, posso sempre tentar descobrir tesouros. Os teus gestos têm as cores da Primavera e enchem os meus dias de flores. Os
teus abraços têm cheiro de paz e o aconchego sonhado nos Invernos. Conseguimos
ver o mundo pela mesma lente e somos capazes de olhar juntos na mesma direcção.
Tantas vezes, para quê complicar. Para acreditar, basta sentir. A cada ausência
tua, sinto-me adoecer de saudade. Sou vítima indefesa daquele bichinho que se
alimenta de migalhas de coração. Quando, à tua
passagem, todas as portas se abrem, todas as luzes verdes se acendem, a vida dá-me
um sinal: é hora de avançar, sem olhar para trás. Tudo o que nos faz sentir e ser
pessoas melhores, também pode ser amor.
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quinta-feira, 1 de maio de 2014
Reportagem # 8
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quinta-feira, 24 de abril de 2014
35 de Abril
No dia 25 de Abril de 1974, eu ainda não estava. Por
isso, não vou contar o que não vivi. Prefiro antes revelar o que sonho e sinto.
Sonho com uma realidade evoluída, onde ninguém tenha de trabalhar com o esforço
de um atleta olímpico para ser remunerado como um amador. Sonho com uma
esperança de berço: que cada bebé que nasça seja um cérebro útil ao serviço do
seu país. Porque, a cada geração que passa, os filhos vão sendo cada vez
melhores que os pais, ou não fosse esse o objectivo único da humanidade. Nascer,
aprender, melhorar e passar o testemunho. Sonho com uma geração que não sinta o
dia 25 como se fosse o 35 de cada mês. Que não haja mais mês que salário, muito
pelo contrário! Que o trabalho tenha um preço justo e adequado ao saber fazer
de cada um. Sonho com um país que - como li algures há dias - deixe de fazer
famosa tanta gente estúpida, remetendo ao anonimato os que realmente conquistam
feitos geniais. Enfim, perdoem-me o desabafo de meia-noite, mas é o que sonho e sinto. E não
minto. Tenho quase 35 quando passam 40 anos da revolução dos cravos. E
apetece-me, pela calada da noite, lançar um repto à minha geração (à rasca): para quando a revolução
dos (es)cravos? Temos o dever de ser melhores que os nossos pais!
Reportagem # 7
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
Reportagem # 6
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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Mensagem de condolências
Perder
a mãe é uma amputação. É sentir a morte arrancar-nos um membro à dentada. A
partir daí, tudo será como aprender a fazer tranças com uma só mão. No início, vai
parecer impossível. Será como caminhar com uma só perna. Coxeando e caindo, sem
ter quem nos apare. Viver sem mãe deve parecer-se a caminhar sem chão. Escrevo
no domínio da suposição, porque felizmente não sei o que isso é.
Provavelmente, se a lei da vida não atraiçoar as contas, um dia essa dor irá tocar-me. Que buraco fundo a falta de um mãe consegue escavar! De
um pai sente-se a falta. Muita. Mas uma mãe sai de nós como um dia saímos dela: com um grito de parto. Um dia, quase todas as mães juraram não aguentar as
dores de um outro corpo a sair do seu. Assim serás, minha mãe. Quando partires,
vais deixar-me de herança um longo trabalho de parto. Sozinha, terei de parir
forças para suportar esta vida sem ti. Se ao menos pudesses dizer-me onde
reencontrar o calor das tuas mãos…
(Dedicado a uma mãe-coragem que ontem partiu)
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
Reportagem # 5
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segunda-feira, 7 de abril de 2014
Desejo de renascermos juntos
![]() |
| Para ti, "belo adormecido". |
Sinto-me como se, num dado instante, tivesses
depositado em mim uma semente chamada encanto, que a cada lágrima se rega e
cresce, criando rebentos que não param de ramificar. Cresces em mim como um
desejo de reencontro com algo que nasci para conhecer. Se possível fosse
engravidar os pensamentos, isso seria o que estou a sentir. Quanto mais penso,
mais cresces em mim, como um filho que um dia terá imperativamente de nascer.
Esse dia será um milagre. E nós, que não somos santos, cederemos ao prazer da
carne, regressando às origens, como se a vida nos desse uma segunda chance para
renascer.
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quinta-feira, 3 de abril de 2014
Reportagem # 4
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terça-feira, 1 de abril de 2014
Matéria-prima
A palavra é o meu tijolo. Arremesso-a
todos os dias, não para erguer muros mas para construir pontes, elos de ligação
entre as pessoas. Gosto de palavras firmes que não sejam rígidas. Não gosto de
palavras duras, feitas de pedra. Gosto delas suaves, parecidas com plasticina, as
que se deixam moldar à situação e têm o efeito balsâmico de um abraço. Todas as
palavras deveriam ser usadas para unir, erguer, construir. A amizade é uma
palavra funda: dentro dela cabe um poço de palavras. O amor é uma palavra-mistério: todos o sentem, ninguém o viu. É como o vento, atravessa-nos o
corpo, desarruma-nos as ideias e lá vai, voltando sempre, inesperado, voando selvagem.
A palavra é o esboço de quem não sabe desenhar. Aos olhos de um escritor, todo
o mundo é um puzzle de palavras encaixadas, onde sempre faltam ou sobram peças.
Toda a palavra pode, toda a palavra muda. Por isso, lança as tuas palavras. Mesmo
baralhadas como as cartas, elas têm poder. Ao não as usares, abdicas de ser
quem és, e estarás condenado a viver escondido num buraco solitário chamado
silêncio.
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