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| Jornal "Dica da Semana", edição regional Algarve, 3 de Julho de 2014 |
quinta-feira, 3 de julho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Errar para aprender
Conhecer-te é também conhecer-me. Entendo melhor os meus actos à luz das tuas reacções. Nas adversidades que ultrapassamos, descubro sempre novos limites e limitações, forças ocultas e fraquezas emergentes. Quero acertar o passo com a vida. Dançar mais e correr menos. Construir futuros acertados anulando erros passados. É em ti, como num espelho, que melhor me revejo. Para o bem e para o mal. Ensinas-me a ler pensamentos e a adivinhar vontades, a antever medos e a suportar fragilidades. Um amor, quando nasce, abre caminhos, quando cresce, faz florescer trepadeiras infinitas de chegar sempre mais alto e mais longe. É na distância que mais te encontro, em toda a falta que me fazes. A vida está cheia de estranhas réguas de medir sentimentos. Sei mais de mim sempre que te reconheço um erro. Hoje sei que errar é o pretérito imperfeito do verbo aprender.
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Reportagem # 11
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quinta-feira, 5 de junho de 2014
Reportagem # 10
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terça-feira, 27 de maio de 2014
A insustentável busca do prazer
Andamos a viver em função do momento de alívio. Na vida, todos os pensamentos vão
dar ao prazer. E sempre que ele acontece, o mundo pára. Há segundos que valem por anos, risos perpetuados
nos ecos da memória. Nesses momentos, estar-se vivo revela-se um milagre ainda
maior. Empreendemos dias e suores de esforço em prol de uns segundos de
libertação. Deixar de pensar, apenas sentir. A felicidade é aquele instante de
ilusionismo em que a percepção anula a preocupação. O tempo fica suspenso. Há
um dedo invisível que bloqueia a progressão dos ponteiros do relógio. O sorriso
rasga-se e o universo amplia-se. Nesse ápice, tudo volta a ser possível. Andamos
carentes de viver. À falta de tempo para vivências, somos perseguidos pelas lembranças. Antes de adormecer, eu volto todos os dias ao último lugar onde fui feliz. Era noite e a
minha almofada era o teu peito.
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quinta-feira, 15 de maio de 2014
Reportagem # 9
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Olhar com o coração
És
como eu gosto. Que me importam outros olhos e outras vozes. Somos todos sempre
mais do que fazemos parecer. Quero abrir o saco que carregas e espreitar lá
para dentro. Por entre os destroços da vida, posso sempre tentar descobrir tesouros. Os teus gestos têm as cores da Primavera e enchem os meus dias de flores. Os
teus abraços têm cheiro de paz e o aconchego sonhado nos Invernos. Conseguimos
ver o mundo pela mesma lente e somos capazes de olhar juntos na mesma direcção.
Tantas vezes, para quê complicar. Para acreditar, basta sentir. A cada ausência
tua, sinto-me adoecer de saudade. Sou vítima indefesa daquele bichinho que se
alimenta de migalhas de coração. Quando, à tua
passagem, todas as portas se abrem, todas as luzes verdes se acendem, a vida dá-me
um sinal: é hora de avançar, sem olhar para trás. Tudo o que nos faz sentir e ser
pessoas melhores, também pode ser amor.
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quinta-feira, 1 de maio de 2014
Reportagem # 8
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quinta-feira, 24 de abril de 2014
35 de Abril
No dia 25 de Abril de 1974, eu ainda não estava. Por
isso, não vou contar o que não vivi. Prefiro antes revelar o que sonho e sinto.
Sonho com uma realidade evoluída, onde ninguém tenha de trabalhar com o esforço
de um atleta olímpico para ser remunerado como um amador. Sonho com uma
esperança de berço: que cada bebé que nasça seja um cérebro útil ao serviço do
seu país. Porque, a cada geração que passa, os filhos vão sendo cada vez
melhores que os pais, ou não fosse esse o objectivo único da humanidade. Nascer,
aprender, melhorar e passar o testemunho. Sonho com uma geração que não sinta o
dia 25 como se fosse o 35 de cada mês. Que não haja mais mês que salário, muito
pelo contrário! Que o trabalho tenha um preço justo e adequado ao saber fazer
de cada um. Sonho com um país que - como li algures há dias - deixe de fazer
famosa tanta gente estúpida, remetendo ao anonimato os que realmente conquistam
feitos geniais. Enfim, perdoem-me o desabafo de meia-noite, mas é o que sonho e sinto. E não
minto. Tenho quase 35 quando passam 40 anos da revolução dos cravos. E
apetece-me, pela calada da noite, lançar um repto à minha geração (à rasca): para quando a revolução
dos (es)cravos? Temos o dever de ser melhores que os nossos pais!
Reportagem # 7
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
Reportagem # 6
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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Mensagem de condolências
Perder
a mãe é uma amputação. É sentir a morte arrancar-nos um membro à dentada. A
partir daí, tudo será como aprender a fazer tranças com uma só mão. No início, vai
parecer impossível. Será como caminhar com uma só perna. Coxeando e caindo, sem
ter quem nos apare. Viver sem mãe deve parecer-se a caminhar sem chão. Escrevo
no domínio da suposição, porque felizmente não sei o que isso é.
Provavelmente, se a lei da vida não atraiçoar as contas, um dia essa dor irá tocar-me. Que buraco fundo a falta de um mãe consegue escavar! De
um pai sente-se a falta. Muita. Mas uma mãe sai de nós como um dia saímos dela: com um grito de parto. Um dia, quase todas as mães juraram não aguentar as
dores de um outro corpo a sair do seu. Assim serás, minha mãe. Quando partires,
vais deixar-me de herança um longo trabalho de parto. Sozinha, terei de parir
forças para suportar esta vida sem ti. Se ao menos pudesses dizer-me onde
reencontrar o calor das tuas mãos…
(Dedicado a uma mãe-coragem que ontem partiu)
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