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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O essencial e o possível

Num tempo em que tudo é urgente, em que tudo são impossíveis, garantir o essencial parece tão pouco. Na verdade, é escusado fazer grandes planos, a vida encarrega-se de levar-nos à deriva de constantes imprevistos. O melhor é deixarmo-nos levar, com leveza, flutuando sobre a maré de acontecimentos. Quando a saúde é uma emergência,  tudo o que era para ontem fica adiado para um dia destes, para quando for possível.  Numa vida limitada aos serviços mínimos, garantir o conforto de quem amamos, cuidando e protegendo a nossa razão de viver, é o essencial. Sendo possível garantir o hoje, o amanhã pode sempre esperar.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

terça-feira, 21 de outubro de 2014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Os gatos não têm vertigens

"Os gatos não têm vertigens", António Pedro Vasconcelos,
2014, 124 minutos
Um grande filme. Um dos melhores do cinema português a que assisti nos últimos anos. Repleto de emoções fortes do princípio ao fim, sem nunca se aproximar do lamechas. A lágrima só nos vence pela beleza das mensagens. Uma improvável história de amizade nascida entre uma viúva solitária e um jovem delinquente que nunca conheceu o amor de pai nem mãe. Um encontro feliz gerado pelos acasos menos bons da vida. Antes de se tornar o melhor amigo de Rosa (Maria do Céu Guerra), Jó (João Jesus) descobre no terraço do seu prédio a vista mais bonita de Lisboa. Uma paisagem que o inspira a desabafar com o papel os infortúnios dos seus dezoito anos, marcados pelo abandono da mãe e pelos maus tratos do pai alcoólico. Por nunca ter conhecido o bem-querer, é com desconfiança que Jó recebe sempre o amor fraterno de Rosa. “Porque é que me tratas bem?”, questiona-a,  depois de já a ter roubado. Todos precisamos de alguém. Esta é a lição maior que nos fica. No fundo, somos todos gatos em busca de um telhado firme onde possamos adormecer em segurança. Sem querer adiantar muito, o reencontro final entre o falecido marido (Nicolau Breyner) e Rosa é capaz de tocar até os mais insensíveis. Ao som do tema “Clandestinos do Amor”, de Ana Moura, o casal troca juras eternas: “Um instante sem ti é uma eternidade”. Candidato português aos espanhóis Goya, “Os gatos não têm vertigens”, de António Pedro Vasconcelos, merece ser visto e premiado.

Oiça o tema "Clandestinos do Amor"


Veja o trailer


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Os Maias

"Os Maias", João Botelho, 2014, 135 minutos
Que não vá ver “Os Maias” de João Botelho quem não tenha lido o romance de Eça de Queirós ou procure mero entretenimento. O filme mais visto nas salas de cinema portuguesas em 2014 está longe de ser um produto massificado de consumo fácil e rápido. É preciso ser-se capaz de compreender a essência do cinema para gostar-se desta adaptação cinematográfica. Um começo a preto e branco faz-nos recuar no tempo aos primórdios da sétima arte. Depois, a complexidade e a entoação teatral do texto só poderá ser apreciada pelo espectador mais sensível ao lirismo que caracteriza a obra de Eça de Queirós. Outra surpresa são os cenários. Feitos de enormes telões artisticamente pintados ilustram na perfeição cada local de passagem, numa alusão lírica, como se cada cena fosse um acto de ópera. A destacar, a beleza dos protagonistas. Graciano Dias é um Carlos da Maia capaz de encantar qualquer Maria Eduarda deste mundo e Maria Flor parece, toda ela, revestir-se de doçura com o seu sotaque brasileiro. O amor incestuoso entre os dois irmãos é uma cena da vida romântica que se consuma apesar da impossibilidade. Talvez a maior mensagem da obra “Os Maias” seja a revelação de um Portugal que pouco ou nada evoluiu em 125 anos. Para mim, narrativas como esta, onde histórias de amor desalinhadas marcam destinos, levantam-me a questão: que enredos haveria por desvelar, se todas as vidas seguissem o caminho das linhas rectas, das escolhas certas, da rejeição imediata das decisões mal calculadas? Palmas a João Botelho pela coragem da realização ambiciosa, sem recursos luxuosos. Parabéns a Pedro Inês, o actor cujo papel secundário acaba por parecer principal no seu brilhante desempenho como o fiel amigo João da Ega.

Sinopse, trailer, actores e muito mais, aqui: http://www.ardefilmes.org/osmaias/

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A mulher de 35 anos

Esperavas aqui chegar uma senhora de saltos altos, mas dás-te conta que ainda és apenas uma menina em bicos dos pés, tentando revelar talentos. Já não corres como aos vinte; o corpo deixou de acompanhar a pressa dos sonhos por realizar. A espera tem agora a serenidade que só a idade ensina: tudo tem o seu tempo. Não adianta desejar o que não estamos preparados para receber. Quando já esperavas só certezas, sobram-te as dúvidas. Paras mais vezes para pensar, mas a dificuldade reside numa questão sem resposta: é o mundo que muda depressa demais ou teu pensamento? Mil ideias, mil vontades, mil vezes mil pensamentos te invadem a cada instante. O que está certo ou errado, já devias saber de cor. Não te aflijas! Ninguém sabe ao certo, ainda que diga que sim. A vida é esta constante aprendizagem que não se limita à infância. No que toca a saber viver, somos crianças até à morte. Ao chegares aqui, o amor já deveria ser aquele lugar seguro aonde não chega o medo. Gostavas que fosse terra firme, pegada certa num só chão. Mas o amor é feito de emoções movediças, num vaivém de marés que arrasta sentimentos definitivos. Com cada vez menos porquês, já entendes que há pessoas que são lições de vida. Entram em nós para revelar caminhos, para nos espelhar defeitos a corrigir. E podem ficar uma vida ou partir depressa. O tempo da aula depende do tamanho da lição. Estás a meio de um caminho sem volta. Se, por um lado, sobes tentando atingir um topo, por outro, estás cada vez mais perto da meta final. Por isso, pensas: vai mais devagar. Contempla mais, respira mais, sente mais. O caminho não te foge. E mesmo que tenda a desviar-se, haverá sempre um atalho de reencontro mais adiante. És uma mulher de trinta e cinco anos. Rosto de menina com traços vincados de senhora. Atitudes infantis com requintes de adulto. Medos humanos camuflados numa força bruta animal.     

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Opinião # 1

Jornal J - Juventude, Artes e Ideias - Município de Olhão - Edição 15 de Setembro de 2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014