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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Lago dos Cisnes

Foto: Russian Classical Ballet; O Lago dos Cisnes passou pelo Auditório Municipal de Olhão na noite de 16 de Dezembro.
Abre-se o pano e a beleza invade-nos os sentidos. Os ouvidos absorvem a música que num arrepio nos volta a sair do corpo através da pele. Os olhos são demasiado pequenos para tamanho apelo visual. A perfeição rodopia e salta sob a forma de corpos graciosos. No ballet tudo é leveza, harmonia e equilíbrio. A arte da contemplação, quando aprendida, é um bálsamo para alma. A mente eleva-se e a criatividade flui em nós. Este é o poder da cultura. Dizem que não dá lucro os que medem a riqueza por valores de cobre e papel. Mas que nunca se renegue o poder de cultivar a mente. A riqueza interior de cada indivíduo não tem preço mas vale ouro. Finalmente pude assistir a um bailado clássico e fruir de uma manifestação artística de excelência. O Lago dos Cisnes pelo Russian Classical Ballet é um espectáculo memorável. A história do príncipe Siegfried que encontra o seu ideal de amor romântico na enfeitiçada Odette, a mais bela princesa cisne aprisionada no lago, é dançada entre a luz e as trevas ao ritmo da grande obra-prima musical de Tchaikovsky. São mais de duas horas de puro encantamento. 

sábado, 13 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Repousa em mim

De repente, pareceste-me tão pequeno. Era como se tivesses encolhido e voltado a ser criança. Ali, aninhado no meu colo, com o peso dos problemas suspenso no meu regaço, ressonavas baixinho, inspirando tranquilidade. Nunca tínhamos estado tão perto do amor. Eu podia tocá-lo ao de leve com a ponta dos dedos. Desenhava-lhe todas as formas, contornando-as. Queria fixá-lo para sempre na forma dos teus lábios, no desalinho das tuas sobrancelhas, na suavidade tenra das tuas orelhas adormecidas. De quando em vez, vergava a minha boca ao encontro da tua testa, fazendo um beijo tocar-lhe como uma pena. Respirava-te e suspirava, na certeza do fim iminente daquela paz tão confortável, tão difícil de manter. Dorme um sono grande, meu menino. Em mim, sem pressa e sem medo, poderás sempre repousar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O essencial e o possível

Num tempo em que tudo é urgente, em que tudo são impossíveis, garantir o essencial parece tão pouco. Na verdade, é escusado fazer grandes planos, a vida encarrega-se de levar-nos à deriva de constantes imprevistos. O melhor é deixarmo-nos levar, com leveza, flutuando sobre a maré de acontecimentos. Quando a saúde é uma emergência,  tudo o que era para ontem fica adiado para um dia destes, para quando for possível.  Numa vida limitada aos serviços mínimos, garantir o conforto de quem amamos, cuidando e protegendo a nossa razão de viver, é o essencial. Sendo possível garantir o hoje, o amanhã pode sempre esperar.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

terça-feira, 21 de outubro de 2014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Os gatos não têm vertigens

"Os gatos não têm vertigens", António Pedro Vasconcelos,
2014, 124 minutos
Um grande filme. Um dos melhores do cinema português a que assisti nos últimos anos. Repleto de emoções fortes do princípio ao fim, sem nunca se aproximar do lamechas. A lágrima só nos vence pela beleza das mensagens. Uma improvável história de amizade nascida entre uma viúva solitária e um jovem delinquente que nunca conheceu o amor de pai nem mãe. Um encontro feliz gerado pelos acasos menos bons da vida. Antes de se tornar o melhor amigo de Rosa (Maria do Céu Guerra), Jó (João Jesus) descobre no terraço do seu prédio a vista mais bonita de Lisboa. Uma paisagem que o inspira a desabafar com o papel os infortúnios dos seus dezoito anos, marcados pelo abandono da mãe e pelos maus tratos do pai alcoólico. Por nunca ter conhecido o bem-querer, é com desconfiança que Jó recebe sempre o amor fraterno de Rosa. “Porque é que me tratas bem?”, questiona-a,  depois de já a ter roubado. Todos precisamos de alguém. Esta é a lição maior que nos fica. No fundo, somos todos gatos em busca de um telhado firme onde possamos adormecer em segurança. Sem querer adiantar muito, o reencontro final entre o falecido marido (Nicolau Breyner) e Rosa é capaz de tocar até os mais insensíveis. Ao som do tema “Clandestinos do Amor”, de Ana Moura, o casal troca juras eternas: “Um instante sem ti é uma eternidade”. Candidato português aos espanhóis Goya, “Os gatos não têm vertigens”, de António Pedro Vasconcelos, merece ser visto e premiado.

Oiça o tema "Clandestinos do Amor"


Veja o trailer


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Os Maias

"Os Maias", João Botelho, 2014, 135 minutos
Que não vá ver “Os Maias” de João Botelho quem não tenha lido o romance de Eça de Queirós ou procure mero entretenimento. O filme mais visto nas salas de cinema portuguesas em 2014 está longe de ser um produto massificado de consumo fácil e rápido. É preciso ser-se capaz de compreender a essência do cinema para gostar-se desta adaptação cinematográfica. Um começo a preto e branco faz-nos recuar no tempo aos primórdios da sétima arte. Depois, a complexidade e a entoação teatral do texto só poderá ser apreciada pelo espectador mais sensível ao lirismo que caracteriza a obra de Eça de Queirós. Outra surpresa são os cenários. Feitos de enormes telões artisticamente pintados ilustram na perfeição cada local de passagem, numa alusão lírica, como se cada cena fosse um acto de ópera. A destacar, a beleza dos protagonistas. Graciano Dias é um Carlos da Maia capaz de encantar qualquer Maria Eduarda deste mundo e Maria Flor parece, toda ela, revestir-se de doçura com o seu sotaque brasileiro. O amor incestuoso entre os dois irmãos é uma cena da vida romântica que se consuma apesar da impossibilidade. Talvez a maior mensagem da obra “Os Maias” seja a revelação de um Portugal que pouco ou nada evoluiu em 125 anos. Para mim, narrativas como esta, onde histórias de amor desalinhadas marcam destinos, levantam-me a questão: que enredos haveria por desvelar, se todas as vidas seguissem o caminho das linhas rectas, das escolhas certas, da rejeição imediata das decisões mal calculadas? Palmas a João Botelho pela coragem da realização ambiciosa, sem recursos luxuosos. Parabéns a Pedro Inês, o actor cujo papel secundário acaba por parecer principal no seu brilhante desempenho como o fiel amigo João da Ega.

Sinopse, trailer, actores e muito mais, aqui: http://www.ardefilmes.org/osmaias/

quinta-feira, 2 de outubro de 2014