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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Quando não escrevo

Há horas em que sofro de silêncio agudo. Num acto de egoísmo, engulo as palavras e guardo-as só para mim. Retenho-as, não sei se na garganta ou na cabeça, apenas porque são palavras feias que não quero partilhar. Se tivesse alma de génio, como o poeta, escreveria sempre Sol. Mas, entretanto, chegou o Inverno gritando trovões e há todo um inferno que se apodera de mim, usurpando a minha colecção de vocábulos felizes. Quando não escrevo, jogo às escondidas com o pensamento e bebo silêncio em goles nocturnos de chá, aquecida pelas palavras de um livro.  

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Lago dos Cisnes

Foto: Russian Classical Ballet; O Lago dos Cisnes passou pelo Auditório Municipal de Olhão na noite de 16 de Dezembro.
Abre-se o pano e a beleza invade-nos os sentidos. Os ouvidos absorvem a música que num arrepio nos volta a sair do corpo através da pele. Os olhos são demasiado pequenos para tamanho apelo visual. A perfeição rodopia e salta sob a forma de corpos graciosos. No ballet tudo é leveza, harmonia e equilíbrio. A arte da contemplação, quando aprendida, é um bálsamo para alma. A mente eleva-se e a criatividade flui em nós. Este é o poder da cultura. Dizem que não dá lucro os que medem a riqueza por valores de cobre e papel. Mas que nunca se renegue o poder de cultivar a mente. A riqueza interior de cada indivíduo não tem preço mas vale ouro. Finalmente pude assistir a um bailado clássico e fruir de uma manifestação artística de excelência. O Lago dos Cisnes pelo Russian Classical Ballet é um espectáculo memorável. A história do príncipe Siegfried que encontra o seu ideal de amor romântico na enfeitiçada Odette, a mais bela princesa cisne aprisionada no lago, é dançada entre a luz e as trevas ao ritmo da grande obra-prima musical de Tchaikovsky. São mais de duas horas de puro encantamento. 

sábado, 13 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Repousa em mim

De repente, pareceste-me tão pequeno. Era como se tivesses encolhido e voltado a ser criança. Ali, aninhado no meu colo, com o peso dos problemas suspenso no meu regaço, ressonavas baixinho, inspirando tranquilidade. Nunca tínhamos estado tão perto do amor. Eu podia tocá-lo ao de leve com a ponta dos dedos. Desenhava-lhe todas as formas, contornando-as. Queria fixá-lo para sempre na forma dos teus lábios, no desalinho das tuas sobrancelhas, na suavidade tenra das tuas orelhas adormecidas. De quando em vez, vergava a minha boca ao encontro da tua testa, fazendo um beijo tocar-lhe como uma pena. Respirava-te e suspirava, na certeza do fim iminente daquela paz tão confortável, tão difícil de manter. Dorme um sono grande, meu menino. Em mim, sem pressa e sem medo, poderás sempre repousar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O essencial e o possível

Num tempo em que tudo é urgente, em que tudo são impossíveis, garantir o essencial parece tão pouco. Na verdade, é escusado fazer grandes planos, a vida encarrega-se de levar-nos à deriva de constantes imprevistos. O melhor é deixarmo-nos levar, com leveza, flutuando sobre a maré de acontecimentos. Quando a saúde é uma emergência,  tudo o que era para ontem fica adiado para um dia destes, para quando for possível.  Numa vida limitada aos serviços mínimos, garantir o conforto de quem amamos, cuidando e protegendo a nossa razão de viver, é o essencial. Sendo possível garantir o hoje, o amanhã pode sempre esperar.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

terça-feira, 21 de outubro de 2014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Os gatos não têm vertigens

"Os gatos não têm vertigens", António Pedro Vasconcelos,
2014, 124 minutos
Um grande filme. Um dos melhores do cinema português a que assisti nos últimos anos. Repleto de emoções fortes do princípio ao fim, sem nunca se aproximar do lamechas. A lágrima só nos vence pela beleza das mensagens. Uma improvável história de amizade nascida entre uma viúva solitária e um jovem delinquente que nunca conheceu o amor de pai nem mãe. Um encontro feliz gerado pelos acasos menos bons da vida. Antes de se tornar o melhor amigo de Rosa (Maria do Céu Guerra), Jó (João Jesus) descobre no terraço do seu prédio a vista mais bonita de Lisboa. Uma paisagem que o inspira a desabafar com o papel os infortúnios dos seus dezoito anos, marcados pelo abandono da mãe e pelos maus tratos do pai alcoólico. Por nunca ter conhecido o bem-querer, é com desconfiança que Jó recebe sempre o amor fraterno de Rosa. “Porque é que me tratas bem?”, questiona-a,  depois de já a ter roubado. Todos precisamos de alguém. Esta é a lição maior que nos fica. No fundo, somos todos gatos em busca de um telhado firme onde possamos adormecer em segurança. Sem querer adiantar muito, o reencontro final entre o falecido marido (Nicolau Breyner) e Rosa é capaz de tocar até os mais insensíveis. Ao som do tema “Clandestinos do Amor”, de Ana Moura, o casal troca juras eternas: “Um instante sem ti é uma eternidade”. Candidato português aos espanhóis Goya, “Os gatos não têm vertigens”, de António Pedro Vasconcelos, merece ser visto e premiado.

Oiça o tema "Clandestinos do Amor"


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