Há horas em que sofro de silêncio
agudo. Num acto de egoísmo, engulo as palavras e guardo-as só para mim.
Retenho-as, não sei se na garganta ou na cabeça, apenas porque são palavras
feias que não quero partilhar. Se tivesse alma de génio, como o poeta,
escreveria sempre Sol. Mas, entretanto, chegou o Inverno gritando trovões e há
todo um inferno que se apodera de mim, usurpando a minha colecção de vocábulos
felizes. Quando não escrevo, jogo às escondidas com o pensamento e bebo silêncio
em goles nocturnos de chá, aquecida pelas palavras de um livro.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Reportagem # 29
Etiquetas:
Algarve,
Corridas à 6ª,
Reportagem
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Reportagem # 28
Etiquetas:
Algarve,
Amar em Círculo,
Cultura,
Isa Mestre,
Literatura,
Reportagem
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Lago dos Cisnes
![]() |
| Foto: Russian Classical Ballet; O Lago dos Cisnes passou pelo Auditório Municipal de Olhão na noite de 16 de Dezembro. |
Abre-se o pano e a beleza invade-nos os sentidos. Os ouvidos absorvem a
música que num arrepio nos volta a sair do corpo através da pele. Os olhos são
demasiado pequenos para tamanho apelo visual. A perfeição rodopia e salta sob a
forma de corpos graciosos. No ballet tudo é leveza, harmonia e equilíbrio. A
arte da contemplação, quando aprendida, é um bálsamo para alma. A mente
eleva-se e a criatividade flui em nós. Este é o poder da cultura. Dizem que não
dá lucro os que medem a riqueza por valores de cobre e papel. Mas que nunca se
renegue o poder de cultivar a mente. A riqueza interior de cada indivíduo não
tem preço mas vale ouro. Finalmente pude assistir a um bailado clássico e fruir
de uma manifestação artística de excelência. O Lago dos Cisnes pelo Russian
Classical Ballet é um espectáculo memorável. A história do príncipe Siegfried
que encontra o seu ideal de amor romântico na enfeitiçada Odette, a mais bela
princesa cisne aprisionada no lago, é dançada entre a luz e as trevas ao ritmo
da grande obra-prima musical de Tchaikovsky. São mais de duas horas de puro
encantamento.
Etiquetas:
Ballet,
Cultura,
Lago dos Cisnes
sábado, 13 de dezembro de 2014
Reportagem # 27
Etiquetas:
Algarve,
Graffiti,
Olhão,
Reportagem,
SEN
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Repousa em mim
De
repente, pareceste-me tão pequeno. Era como se tivesses encolhido e voltado a
ser criança. Ali, aninhado no meu colo, com o peso dos problemas suspenso no
meu regaço, ressonavas baixinho, inspirando tranquilidade. Nunca tínhamos estado
tão perto do amor. Eu podia tocá-lo ao de leve com a ponta dos dedos. Desenhava-lhe
todas as formas, contornando-as. Queria fixá-lo para sempre na forma dos teus
lábios, no desalinho das tuas sobrancelhas, na suavidade tenra das tuas orelhas
adormecidas. De quando em vez, vergava a minha boca ao encontro da tua testa,
fazendo um beijo tocar-lhe como uma pena. Respirava-te e suspirava, na certeza
do fim iminente daquela paz tão confortável, tão difícil de manter. Dorme um
sono grande, meu menino. Em mim, sem pressa e sem medo, poderás sempre
repousar.
Etiquetas:
Amor,
Desabafos salteados
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Reportagem # 26
Etiquetas:
Algarve,
Olhão,
Reportagem,
RIAS
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Reportagem # 25
Etiquetas:
Algarve,
Reportagem,
Trapilho
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
O essencial e o possível
Num tempo em que tudo é urgente, em que tudo são impossíveis, garantir o essencial parece tão pouco. Na verdade, é escusado fazer grandes planos, a vida encarrega-se de levar-nos à deriva de constantes imprevistos. O melhor é deixarmo-nos levar, com leveza, flutuando sobre a maré de acontecimentos. Quando a saúde é uma emergência, tudo o que era para ontem fica adiado para um dia destes, para quando for possível. Numa vida limitada aos serviços mínimos, garantir o conforto de quem amamos, cuidando e protegendo a nossa razão de viver, é o essencial. Sendo possível garantir o hoje, o amanhã pode sempre esperar.
Etiquetas:
Desabafos salteados,
Vida
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Reportagem # 24
Etiquetas:
Algarve,
Reportagem
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Reportagem # 23
Etiquetas:
Algarve,
Ecovia,
Reportagem
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Os gatos não têm vertigens
![]() |
| "Os gatos não têm vertigens", António Pedro Vasconcelos, 2014, 124 minutos |
Um grande filme. Um dos melhores do cinema português a que assisti nos
últimos anos. Repleto de emoções fortes do princípio ao fim, sem nunca se
aproximar do lamechas. A lágrima só nos vence pela beleza das mensagens. Uma
improvável história de amizade nascida entre uma viúva solitária e um jovem delinquente
que nunca conheceu o amor de pai nem mãe. Um encontro feliz gerado pelos acasos
menos bons da vida. Antes de se tornar o melhor amigo de Rosa (Maria do Céu Guerra), Jó (João Jesus) descobre no
terraço do seu prédio a vista mais bonita de Lisboa. Uma paisagem que o inspira
a desabafar com o papel os infortúnios dos seus dezoito anos, marcados pelo
abandono da mãe e pelos maus tratos do pai alcoólico. Por nunca ter conhecido o
bem-querer, é com desconfiança que Jó recebe sempre o amor fraterno de Rosa. “Porque
é que me tratas bem?”, questiona-a, depois de já a ter roubado. Todos precisamos
de alguém. Esta é a lição maior que nos fica. No fundo, somos todos gatos em
busca de um telhado firme onde possamos adormecer em segurança. Sem querer
adiantar muito, o reencontro final entre o falecido marido (Nicolau Breyner) e Rosa é capaz de tocar até
os mais insensíveis. Ao som do tema “Clandestinos do Amor”, de Ana Moura, o casal troca juras eternas: “Um instante sem ti é uma eternidade”. Candidato
português aos espanhóis Goya, “Os gatos não têm vertigens”, de António Pedro
Vasconcelos, merece ser visto e premiado.
Oiça o tema "Clandestinos do Amor"
Veja o trailer
Subscrever:
Mensagens (Atom)








.jpg)


