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quarta-feira, 4 de março de 2015

“Para mim, és perfeita!”

O medo quase me travou. À última, estive para não ir. Temia o portão fechado, numa rejeição inventada à pressa. Sem avisares que me esperavas, receavas que eu já não fosse. Mas eu fui e tu estavas lá, de portas escancaradas, à minha espera. Debaixo do mesmo tecto enfim, deixámos o mundo lá fora e sorrimos. Do nosso olhar aceso, fez-se luz. Conversas iluminadas revelaram que sonhamos a cores o mesmo sonho. Um dia, ainda havemos de comer pipocas de pantufas e caminhar pela praia ao luar. Hoje, trocando beijos por palavras, disseste: “Para mim, és perfeita!”. E eu, de coração a galope, recebi esse teu presente, na esperança de desembrulhar o futuro.     

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

sábado, 14 de fevereiro de 2015

As cinquenta sombras de Grey

"Fifty shades of Grey", Sam Taylor-Johnson, 2015, 125 min.  
Há muito que não via uma sala de cinema assim: praticamente lotada às seis e meia da tarde. Há fenómenos que fazem agitar a economia e só por isso já têm o seu valor. Quanto ao filme, não tendo lido nenhum dos três romances de E.L. James, não me pareceu mau. A falta de argumento é claramente compensada pelos cenários luxuriantes e pelas excentricidades proporcionadas pelo multimilionário Christian Grey à simplória estudante de literatura Anastasia Steele. De resto, é fácil entender o poder de atracção que esta narrativa exerce sobre milhões em todo o mundo. A maioria dos homens gostaria de ser um Grey: um jovem, bonito e poderoso multimilionário. A maioria das mulheres desejariam ser Anastasia e conseguir cativar o interesse de um homem assim. Já imaginou ter um helicóptero à sua espera, rumo a uma noite especial, após um entediante dia de trabalho? Mas, como não há belo sem senão, Grey esconde um segredo. Ele não é o homem romântico que a maioria das mulheres desejam, mas um dominador disposto a dar tudo do bom e do melhor à mulher que aceite ser sua submissa. Sem querer contar muito mais, posso adiantar que as cenas de sexo não me chocaram. O filme não tem nada de pornográfico. A sexualidade dos actos é explorada na exibição sensual da perfeição dos corpos e pouco mais. A violência física é muito relativa e não chocará ninguém. Já a tristeza da expressão de Grey, ensombrado por uma infância dura de que não quer falar, pode ser por vezes comovente, sobretudo quando a meio da noite decide tocar piano. No fundo, ele não é um homem mau. Apenas alguém marcado por um passado sombrio do qual não consegue libertar-se. O retrato real de tanta e tanta gente…

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Quando não escrevo

Há horas em que sofro de silêncio agudo. Num acto de egoísmo, engulo as palavras e guardo-as só para mim. Retenho-as, não sei se na garganta ou na cabeça, apenas porque são palavras feias que não quero partilhar. Se tivesse alma de génio, como o poeta, escreveria sempre Sol. Mas, entretanto, chegou o Inverno gritando trovões e há todo um inferno que se apodera de mim, usurpando a minha colecção de vocábulos felizes. Quando não escrevo, jogo às escondidas com o pensamento e bebo silêncio em goles nocturnos de chá, aquecida pelas palavras de um livro.  

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014