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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Nunca digas adeus

Não te vou dizer adeus. Reservo essa palavra para as despedidas eternas. Vivemos uma Primavera onde apanhámos flores e avistámos o arco-íris. Sempre que o Inverno se pôs à espreita, soprámos nuvens e dançámos à chuva. Tentámos a sorte mas tivemos azar. Deixámos o barco do amor naufragar. Saltámos borda fora num túnel chamado noite. Só um mergulho na solidão nos poderá resgatar. Enquanto não abrandar o fôlego nem voltar a raiar o dia, a única luz ao fundo do tempo será a recordação brilhante do nosso olhar. 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

sábado, 6 de junho de 2015

Palmas para Viviane


Três palavras para descrever o concerto a que assisti ontem à noite: um momento inesquecível. No primeiro de dois espectáculos comemorativos dos 10 anos de carreira a solo, no Auditório Municipal de Olhão, Viviane entrou em palco e a sua voz inundou a sala. Num primeiro tema, sem acompanhamento musical, a cantora afirmou-se serena e segura, numa confiança que só a maturidade confere. Num estilo único que entrelaça o melhor do Fado, do Tango e da Chanson francesa, a voz de Viviane enaltece os seus próprios poemas e outros de grandes nomes como Amália e Ary dos Santos ou José Luís Peixoto. Sem esquecer uma palavra de gratidão ao tempo dos “Entre Aspas”, banda da qual foi vocalista durante 15 anos, e ao poeta olhanense Fernando Cabrita, o momento alto da noite foi a entrada em cena do couro do Conservatório Municipal de Olhão, a acompanhar o magnífico tema “A vida não chega” do álbum “Amores imperfeitos” de 2005. O jogo de luzes e os efeitos cénicos, aliados à magia das vozes juvenis, criou um momento arrepiante e comovente, certamente memorável para todos os que assistiram. Eu jamais irei esquecer. O concerto repete-se esta noite e será gravado em vídeo para posteriormente ser transmitido num canal televisivo.  

Para saber mais sobre a cantora:
Leia a entrevista
Oiça a discografia

quarta-feira, 3 de junho de 2015

quinta-feira, 30 de abril de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

sexta-feira, 17 de abril de 2015

quarta-feira, 8 de abril de 2015

sexta-feira, 3 de abril de 2015

domingo, 22 de março de 2015

O encanto de Cuca Roseta

Sábado, 21 de Março. Cuca Roseta entra em palco como se fosse a Primavera, amena e doce. À primeira canção, a fadista revela-se uma menina-mulher de voz melódica e cristalina. Num timbre infantil e um estilo muito próprio, interpreta temas seus e de outros grandes poetas: Amália, Vinicius, Rosa Lobato Faria… Sinto o fado na pele e arrepio-me muitas vezes. Apetece-me bater palmas com muita força e de pé. Apetece-me comprar o CD e continuar a ouvir em casa. Apetece-me dizer que o espectáculo no Auditório Municipal de Olhão foi muito bom. Entrei sem expectativas e saí impressionada. Nada me admira que a voz de Cuca tenha sido a escolhida para interpretar a versão portuguesa do tema do filme “Cinderela”. Ela tem toda a graciosidade e o encanto de uma princesa. 

Ora oiçam

domingo, 8 de março de 2015

sábado, 7 de março de 2015

Serpentina

"Serpentina", Mário Zambujal, Clube do Autor
Um romance breve e ligeiro, de enredo simples, escrito com a mestria de um senhor das letras. É assim este “Serpentina”, o último livro do escritor português Mário Zambujal, que acabo de ler. Não há nada de forçado ou artificial na escrita do autor. A sua linguagem tem a frescura de uma mente juvenil, trocando por miúdos os pensamentos mais complexos. De leitura rápida, em capítulos curtos, “Serpentina” narra as peripécias de Bruno Bracelim, um argumentista de séries televisivas “na demanda da bela sem senão”. Irá ele encontrar a mulher do rosto perfeito? Vale a pena ler para descobrir.   

quarta-feira, 4 de março de 2015

“Para mim, és perfeita!”

O medo quase me travou. À última, estive para não ir. Temia o portão fechado, numa rejeição inventada à pressa. Sem avisares que me esperavas, receavas que eu já não fosse. Mas eu fui e tu estavas lá, de portas escancaradas, à minha espera. Debaixo do mesmo tecto enfim, deixámos o mundo lá fora e sorrimos. Do nosso olhar aceso, fez-se luz. Conversas iluminadas revelaram que sonhamos a cores o mesmo sonho. Um dia, ainda havemos de comer pipocas de pantufas e caminhar pela praia ao luar. Hoje, trocando beijos por palavras, disseste: “Para mim, és perfeita!”. E eu, de coração a galope, recebi esse teu presente, na esperança de desembrulhar o futuro.     

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

sábado, 14 de fevereiro de 2015

As cinquenta sombras de Grey

"Fifty shades of Grey", Sam Taylor-Johnson, 2015, 125 min.  
Há muito que não via uma sala de cinema assim: praticamente lotada às seis e meia da tarde. Há fenómenos que fazem agitar a economia e só por isso já têm o seu valor. Quanto ao filme, não tendo lido nenhum dos três romances de E.L. James, não me pareceu mau. A falta de argumento é claramente compensada pelos cenários luxuriantes e pelas excentricidades proporcionadas pelo multimilionário Christian Grey à simplória estudante de literatura Anastasia Steele. De resto, é fácil entender o poder de atracção que esta narrativa exerce sobre milhões em todo o mundo. A maioria dos homens gostaria de ser um Grey: um jovem, bonito e poderoso multimilionário. A maioria das mulheres desejariam ser Anastasia e conseguir cativar o interesse de um homem assim. Já imaginou ter um helicóptero à sua espera, rumo a uma noite especial, após um entediante dia de trabalho? Mas, como não há belo sem senão, Grey esconde um segredo. Ele não é o homem romântico que a maioria das mulheres desejam, mas um dominador disposto a dar tudo do bom e do melhor à mulher que aceite ser sua submissa. Sem querer contar muito mais, posso adiantar que as cenas de sexo não me chocaram. O filme não tem nada de pornográfico. A sexualidade dos actos é explorada na exibição sensual da perfeição dos corpos e pouco mais. A violência física é muito relativa e não chocará ninguém. Já a tristeza da expressão de Grey, ensombrado por uma infância dura de que não quer falar, pode ser por vezes comovente, sobretudo quando a meio da noite decide tocar piano. No fundo, ele não é um homem mau. Apenas alguém marcado por um passado sombrio do qual não consegue libertar-se. O retrato real de tanta e tanta gente…

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015