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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A linguagem gestual da vida


Viajo não sei para onde, ignorando quem me espera. Só o destino saberá guiar-me. Nesta longa jornada, tantas vezes de pés descalços, incomodam-me as feridas mas não posso parar. Abrando, volta e meia, apenas para respirar tempo. E de ares renovados, sigo viagem.  Não por estrada direita, prefiro os trilhos de curva e contra curva de terra batida. Afinal, pés calejados aguentam tudo e por aqui a vida parece tão mais bonita. Tem cor e cheiro e mais sabor. Em cada árvore encontrada, provo um fruto e saboreio prazeres. Que delícia a liberdade de calcorrear a vida sem pressa nem medo. Neste constante diálogo surdo-mudo, falta-me aprender a linguagem gestual da vida. Preciso saber decifrar que respostas me revelam os silêncios com que me vou cruzando.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

A passagem


O que mais importa, não é o lugar, é a companhia. Será dia de festa sempre que estivermos juntos, seja qual for a data no calendário. Celebrar as doze badaladas é tão pouco quando os nossos corações não podem dançar. A música que toca embala-nos os sentidos e adormece-nos o pensamento. Os sonhos procuram sempre a escuridão para nascer. No novo dia de um ano novo despertaremos com asas. Ao amanhecer saberemos voar na direcção certa do amanhã. Quando formos mãos e lábios colados, seremos a celebração do que mais importa. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Os audazes



Nós, os que buscamos a paixão a cada passo, ao virar de cada esquina, falamos a mesma língua. Só nós nos entendemos e reconhecemos ao primeiro olhar. Andar pela linha do meio, pé ante pé, não é para nós. As almas transbordantes não gostam de copos meio cheios nem meio vazios. Abominam todo o tipo de planaltos. Ou é montanha ou é planície. Ou é tudo, ou não vale nada. Nós os que, a poder escolher entre o “não dói nada” e o “isto vai doer”, seguimos em frente, sabemos que não doer é sinónimo de não viver, não sentir dor é uma espécie de morte antecipada. Nós, os que arriscamos tudo sabendo que tudo podemos perder, somos os únicos que em dias de sorte podemos ganhar um jackpot. Quem tudo quer, tudo perde. Mas, quem nada quer, nunca ganhou nada.   

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Adeus, marinheiro

Faz hoje uma semana que embarcaste na derradeira viagem. Trajado a rigor, partiste como sempre viveste: depressa demais. Sem tempo para envelhecer. Agora, nunca mais. Nunca mais o teu sorriso alvo. Nem os cabelos grisalhos ao vento, tão alvoroçados como a tua voz. Agora és um vazio que vamos preenchendo de memórias. E tantas que nos deixaste. Eras intenso em tudo o que fazias. “Onde é que andaste embarcada?”, perguntaste-me no dia em que entramos no mesmo barco. Mal sabíamos que era o barco do amor. Nesse tempo, deste-me mundo. E juntos criámos vida. Viverás para sempre num rosto de criança, mistura perfeita dos meus e dos teus traços. A partir de agora, recordar também será viver. De alma ainda esfaqueada, numa anestesia geral dos sentidos, eu prometo: vou continuar-te.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

terça-feira, 28 de julho de 2015