Olha à tua volta e repara: quantas inutilidades acumulas em
teu redor? Ruínas de amores defuntos, mensagens com respostas impossíveis, objectos
sem estante, roupas triplicadas eternamente sem uso. É assim a vida, sempre tão
desarrumada. Ideias que não cabem em gavetas, demasiados assuntos sem espaço ou
resolução. Terás sempre as janelas por onde podes escancarar-te em gritos de
liberdade. Queres ser mais feliz? Rasga papel e oferece-o ao vento. Despe o
guarda-roupa e agasalha os pobres. Limpa todos os teus recantos, escorraçando as
estorvas memórias de pessoas e tempos irrepetíveis. Mais leve, abandonado de ruídos,
caminharás no equilíbrio do silêncio e todos os teus pensamentos serão paz.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
terça-feira, 26 de abril de 2016
A justiça (não) é cega
Depois da liberdade, a justiça é a dignidade maior que um
homem pode experimentar. Que a vida é injusta e que o mundo é dos espertos, somos ensinados a crer. Mas há sempre um dia em que a esperteza não chega, a
astúcia é traiçoeira, a raposa cai no seu próprio ardil e se faz jus à mais
inocente das criaturas. Porque a verdade é lei, a mentira deve-lhe obediência.
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sábado, 9 de abril de 2016
Redenção
Queria
confessar-te que os sinos tocaram dentro de mim naquela noite. Desde o primeiro
instante, olhei-te com um afecto inusitado, sem lugar para porquês. Surgiste
como uma aparição. Um rosto divino tão harmonioso em todas as suas humanas
imperfeições. Meio homem, meio Deus, digno de um pedestal. A ti dirijo a minha
prece ajoelhada que em silêncio grita o teu nome, redentor.
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quarta-feira, 16 de março de 2016
Reportagem # 55
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sexta-feira, 11 de março de 2016
Declaração de amor maternal
Gostava de saber dizer tudo o que és e o que
significas para mim. Mas todas as palavras me parecem tão pequenas que te abreviam.
Ao olhar-te, neste amor crescente que só as mães conhecem, ainda me espanto com
a grandeza do milagre que fui capaz de gerar. Todos os dias me ajudas a revelar
o melhor de mim. Ensinas-me a paciência, ao ritmo das brincadeiras que nunca podem
esperar. És criança agora e tenho de aprender a respeitar esse tempo, efémero e
irrepetível, do qual vou ter tantas saudades. São as tuas prioridades que pautam
as minhas rotinas. São as tuas vontades que despertam a minha energia. Todos os
dias confirmo que para uma mãe não há limites de força e coragem. E quando me
sinto fraquejar, és o meu ombro e o meu colo e a mão que me resgata para a
vida. A paz do meu sono depende unicamente do doce respirar da tua pele. É
assim que me despeço dos dias. Inalo-te e adormeço feliz, há oito anos.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Reportagem # 54
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
A linguagem gestual da vida
Viajo
não sei para onde, ignorando quem me espera. Só o destino saberá guiar-me.
Nesta longa jornada, tantas vezes de pés descalços, incomodam-me as feridas mas
não posso parar. Abrando, volta e meia, apenas para respirar tempo. E de ares
renovados, sigo viagem. Não por estrada
direita, prefiro os trilhos de curva e contra curva de terra batida. Afinal,
pés calejados aguentam tudo e por aqui a vida parece tão mais bonita. Tem cor e
cheiro e mais sabor. Em cada árvore encontrada, provo um fruto e saboreio
prazeres. Que delícia a liberdade de calcorrear a vida sem pressa nem medo.
Neste constante diálogo surdo-mudo, falta-me aprender a linguagem gestual da
vida. Preciso saber decifrar que respostas me revelam os silêncios com que me
vou cruzando.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
A passagem
O que mais importa, não é o lugar,
é a companhia. Será dia de festa sempre que estivermos juntos, seja qual for a
data no calendário. Celebrar as doze badaladas é tão pouco quando os nossos
corações não podem dançar. A música que toca embala-nos os sentidos e
adormece-nos o pensamento. Os sonhos procuram sempre a escuridão para nascer.
No novo dia de um ano novo despertaremos com asas. Ao amanhecer saberemos voar
na direcção certa do amanhã. Quando formos mãos e lábios colados, seremos a celebração do
que mais importa.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Reportagem # 52
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Reportagem # 51
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quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Os audazes
Nós, os que
buscamos a paixão a cada passo, ao virar de cada esquina, falamos a mesma
língua. Só nós nos entendemos e reconhecemos ao primeiro olhar. Andar pela
linha do meio, pé ante pé, não é para nós. As almas transbordantes não gostam
de copos meio cheios nem meio vazios. Abominam todo o tipo de planaltos. Ou é
montanha ou é planície. Ou é tudo, ou não vale nada. Nós os que, a poder
escolher entre o “não dói nada” e o “isto vai doer”, seguimos em frente,
sabemos que não doer é sinónimo de não viver, não sentir dor é uma espécie de
morte antecipada. Nós, os que arriscamos tudo sabendo que tudo podemos perder,
somos os únicos que em dias de sorte podemos ganhar um jackpot. Quem tudo quer, tudo perde. Mas, quem nada quer, nunca
ganhou nada.
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