quarta-feira, 18 de outubro de 2017
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Quando a avó me levava ao parque
Quando
a minha avó me levava ao parque, eu tinha cinco anos e ainda sabia ser feliz. A
avó levava sempre a minha mão bem apertada pelo medo de não me deixar fugir. Esses
dias eram sempre finais de tarde de verão, daqueles que o Sol gosta de
prolongar até que resolve esconder-se. Depois de jantar, lá íamos nós, rua
acima, pela fresquinha – como ela dizia – agradada com a brisa que antecede o
anoitecer. Lá em casa, jantávamos cedo, às seis da tarde já a comida estava na
mesa. Era assim por causa do avô. Ele chegava das obras com a roupa e as botas
pesadas de cimento e tomava sempre banho antes de ocupar o seu lugar cativo à
mesa. Depois, com as mãos espessas e ásperas de tanto acartar baldes de massa,
cortava uma fatia de pão. Vida dura a do avô. As obras começavam sempre cedo,
sobretudo no verão, para fugir à braseira estival. Vida dura a da avó. Uma vida
feita de espera e de cuidar dos outros. Mas nem um lamento. Daquela boca só
saíam jóias e rebuçados. Daquelas mãos, só carinho. Daquele colo, só conforto.
Daquele tempo, só saudades. E o cheiro inconfundível da sombra noturna dos eucaliptos.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Incontactável amor
Por mais que me esforce, não consigo lembrar-me quais as
últimas palavras que trocámos. Talvez tenha sido apenas um sorriso triste, de
mãos entrelaçadas sobre uma cama de hospital. A doença, como um aviso prévio,
deu-nos o tempo para não deixar nada por dizer, nada por fazer. Todas as mágoas
se desvaneceram, perante a imposição de um inevitável adeus. “É agora?”. Recordo-me
de teres perguntado numa ocasião, ainda vagamente consciente, enquanto já
esperavas pela morte com a certeza serena que sempre te admirei. Sem medo,
revolta ou porquês, entregaste-te à morte como sempre te abriste à vida:
destemido! “Quando a morte nos sorrir, só temos de lhe sorrir de volta”,
repetias sempre. E assim o cumpriste. Talvez a nossa última palavra trocada
tenha sido apenas esse sorriso, aquele que farei perpetuar na memória até ao último
dos meus dias. Aquele que revejo nas molduras espalhadas pela casa com as quais
insisto em conversar, sem nunca conseguir mais do que solitários monólogos. Aquele
que, como uma réplica perfeita, diariamente resplandece no rosto de uma menina
- prova viva que um dia, entre nós, o amor existiu. Hoje cumprem-se dois anos
de eterna saudade. E eu continuo a cumprir o que te prometi. Enquanto a força
me dominar a vontade, vou continuar-te, amando pelos dois o nosso maior
tesouro.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
5 de julho - Feira do Livro de Olhão
Informo os meus queridos amigos e leitores que estarei presente na Feira do Livro de Olhão, quarta-feira, dia 5 de julho, pelas 19h, no Pavilhão Literatura Reunida, à conversa com o amigo escritor e editor Pedro Jubilot.
Para quem desejar, o meu livro "SobreViver" estará à venda e eu terei todo o gosto em cumprimentar e escrever dedicatórias a todos os que tiverem a gentileza de aparecer.
Marquem na agenda, quarta-feira, 5 de julho, 19h, no Jardim Patrão Joaquim Lopes em Olhão (junto ao mercado da fruta).
sábado, 6 de maio de 2017
Desabafos salteados
Em caso de dúvida, escolhe sempre despojar-te de ti. Desprende-te das amarras da tua egoísta vontade e opta por ficar onde podes ser mais útil. Não a ti, aos outros. Estamos aqui para nos servirmos uns aos outros e nessa benigna servidão fazer cumprir a nossa missão existencial.
terça-feira, 18 de abril de 2017
23 de abril - Fnac de Faro
O SobreViver chega aos escaparates da Fnac de Faro, no Fórum Algarve, domingo, 23 de abril, Dia Mundial do Livro, às 18h. A apresentação do livro será feita pela escritora Ana Amorim Dias e João Pereira interpretará algumas leituras. Estão todos convidados.
terça-feira, 4 de abril de 2017
9 de abril - XIII Feira do Livro da Fuzeta
A convite da Associação Foz do Êta, o SobreViver está presente na XIII Feira do Livro da Fuzeta, com uma sessão de apresentação marcada para domingo, 9 de abril, às 15h, que será feita por Filomena Calão, na presença da autora. A entrada é livre. Estão todos convidados.
segunda-feira, 20 de março de 2017
domingo, 5 de março de 2017
Dar testemunho
Há dois temas sobre os quais evito pronunciar-me: política e religião. Não porque seja contra nenhum deles, muito pelo contrário. Mas por haver sempre quem esteja disposto a contestar o que quer que se diga sem o menor conhecimento de causa. Falar mal só por falar. E isso entristece-me. Contudo, hoje, no primeiro domingo da Quaresma, no qual fui eleita para ser batizada na vigília Pascal, senti a necessidade de partilhar a minha alegria, dando o meu testemunho como (quase) cristã. Hoje, quero agradecer o ateísmo paterno que me impediu de receber o sacramento inconsciente do batismo infantil. Graças a essa liberdade de escolha, pude, em idade adulta, sem quaisquer pressões, decidir-me pela conversão ao cristianismo. Tal como o amor à primeira vista é impossível de explicar, quem encontra Deus não tem palavras para esclarecer o que sente. No meu caso, houve um momento de iluminação e reencontro com a paz interior que surgiu de um convite inesperado para entrar na igreja – local que nem ousava pisar, sabe-se lá porquê. A verdade é que me senti tão bem, tão bem, tão bem, que decidi voltar uma e outra vez, até confirmar que tinha encontrado o meu caminho da fé. Inspirada pela leitura do Evangelho, tornei-me uma catecúmena estudiosa e hoje passei a eleita, numa cerimónia celebrada pelo Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas. Vejo a conversão religiosa como um ato consciente da assunção da nossa espiritualidade. Não é a Igreja que faz as pessoas melhores. É a sua vontade de seguir o exemplo de Cristo. E isso nem todos conseguem, mesmo os que não falham uma Eucaristia. A verdade é que a liturgia da palavra e a homilia têm o dom de nos abrandar, permitindo que vejamos a vida com outros olhos, despertando-nos para uma nova existência, de maior e melhor aceitação das duras provas da nossa tão efémera existência humana. Converti-me e sou mais feliz. Vou à missa ao domingo porque gosto e ninguém me obriga. Quero, de plena vontade, tornar-me uma cristã praticante. Porque isso de se ser “católico não praticante”, como dizia uma professora minha, é o mesmo que nada. Ou bem que se é ou não se é. Ninguém é melhor pessoa só porque vai à igreja. Mas também não vejo necessidade de lá ir apenas comprar sacramentos, vestir de gala, tirar fotografias, pagar promessas, e rezar a Santa Bárbara quando faz trovões. Ser cristão é um estado de alma que se revela na prática do bem, sem olhar a quem, por amor à Humanidade.
Etiquetas:
Cláudia Sofia Sousa,
conversão,
fé,
religião
quinta-feira, 2 de março de 2017
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
domingo, 18 de dezembro de 2016
Depois de SobreViver
Depois do parto, a mãe precisa de tempo para recuperar e desfrutar do seu bebé. Depois do lançamento de um livro, um escritor precisa de tempo para virar a página, encerrar um capítulo, antes de iniciar o próximo.
Com o lançamento de SobreViver, o meu primeiro livro, no dia 25 de novembro de 2016, fruto de sete anos de trabalho publicado neste blogue, fecha-se um ciclo. Mas este blogue permanecerá como elo de ligação com todos vocês que têm a gentileza de me ler e seguir.
A todos, gratidão! E a garantia de que novos títulos gritam já dentro de mim, aguardando o momento oportuno para se tornarem livros.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









