Os hábitos moldam-nos. Limitam-nos os desejos e as vontades.
Nada é mais seguro e tranquilo que viver no casulo. Mas o Mundo gira, o tempo
voa e sempre chega a hora da borboleta. Chama-se efémera, o nome do tempo que
dura a felicidade. Descobre que voar tem tanto de mágico como de assustador.
Mas ser feliz é planar em equilíbrio, aquele ponto no qual estamos alinhados
com o universo, não pendemos para lado nenhum, a não ser para o nosso centro
vital, onde um coração, no compasso certo, conta o tempo mais devagar. Não
tenhas medo, lagarta! Ainda que venhas a ser efémera, terás conhecido o voo da
felicidade.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
terça-feira, 28 de novembro de 2017
Getsémani
Onde fica o teu monte das
oliveiras?
O teu oratório de agonias e
prantos?
O calvário onde morres todos
os dias
Antes da diária ressurreição?
Diz-me, onde fica o teu
refúgio sagrado?
Onde o silêncio te habita
No confortável embalo
Do colo invisível que te purifica
Onde aguardas vigilante
O dia mais esperado?
O momento do reencontro
com a verdade da vida?
Diz-me, onde choras e oras?
Rogando que chegue o instante
da harmoniosa eternidade
O ponto de partida para a paz
em liberdade
domingo, 19 de novembro de 2017
À noite no chalé
Naquela noite, a
natureza prendeu-nos nos braços um do outro. Não adianta fugir quando até a
natureza nos empurra na direção da nossa vontade. Há momentos em que devemos
ceder ao ímpeto do desejo e aceitar o inevitável. Esses são os momentos a que
se chama viver. O resto é a passagem do tempo que nos permite crescer e
aprender. É a preparação para os instantes de suprema felicidade que
esperamos durante anos. Enclausurados na
escuridão da casa assombrada, os nossos olhos encontraram-se no clarão de um
relâmpago, fazendo-nos estremecer como o trovão que se seguiu. E foi então que,
num impulso magnético, as nossas bocas se colaram como ventosas. Nessa noite
tenebrosa, ficámos imunes ao medo. E nada mais conhecemos senão o conforto do
amor.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Aqui e agora
Neste lugar chamado tempo
onde tudo é incerteza e medo
Tudo o que sou é espera e esperança
onde tudo é incerteza e medo
Tudo o que sou é espera e esperança
Tudo o que tenho é carência e frio
Tudo o que quero é tempo livre e paz
Tudo o que espero é um futuro diferente
Tudo o que sei é que nada é certo
Tudo o que temo é que nada mude
Tudo o que sonho é uma nova sorte
Tudo o que quero é tempo livre e paz
Tudo o que espero é um futuro diferente
Tudo o que sei é que nada é certo
Tudo o que temo é que nada mude
Tudo o que sonho é uma nova sorte
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Quando a avó me levava ao parque
Quando
a minha avó me levava ao parque, eu tinha cinco anos e ainda sabia ser feliz. A
avó levava sempre a minha mão bem apertada pelo medo de não me deixar fugir. Esses
dias eram sempre finais de tarde de verão, daqueles que o Sol gosta de
prolongar até que resolve esconder-se. Depois de jantar, lá íamos nós, rua
acima, pela fresquinha – como ela dizia – agradada com a brisa que antecede o
anoitecer. Lá em casa, jantávamos cedo, às seis da tarde já a comida estava na
mesa. Era assim por causa do avô. Ele chegava das obras com a roupa e as botas
pesadas de cimento e tomava sempre banho antes de ocupar o seu lugar cativo à
mesa. Depois, com as mãos espessas e ásperas de tanto acartar baldes de massa,
cortava uma fatia de pão. Vida dura a do avô. As obras começavam sempre cedo,
sobretudo no verão, para fugir à braseira estival. Vida dura a da avó. Uma vida
feita de espera e de cuidar dos outros. Mas nem um lamento. Daquela boca só
saíam jóias e rebuçados. Daquelas mãos, só carinho. Daquele colo, só conforto.
Daquele tempo, só saudades. E o cheiro inconfundível da sombra noturna dos eucaliptos.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Incontactável amor
Por mais que me esforce, não consigo lembrar-me quais as
últimas palavras que trocámos. Talvez tenha sido apenas um sorriso triste, de
mãos entrelaçadas sobre uma cama de hospital. A doença, como um aviso prévio,
deu-nos o tempo para não deixar nada por dizer, nada por fazer. Todas as mágoas
se desvaneceram, perante a imposição de um inevitável adeus. “É agora?”. Recordo-me
de teres perguntado numa ocasião, ainda vagamente consciente, enquanto já
esperavas pela morte com a certeza serena que sempre te admirei. Sem medo,
revolta ou porquês, entregaste-te à morte como sempre te abriste à vida:
destemido! “Quando a morte nos sorrir, só temos de lhe sorrir de volta”,
repetias sempre. E assim o cumpriste. Talvez a nossa última palavra trocada
tenha sido apenas esse sorriso, aquele que farei perpetuar na memória até ao último
dos meus dias. Aquele que revejo nas molduras espalhadas pela casa com as quais
insisto em conversar, sem nunca conseguir mais do que solitários monólogos. Aquele
que, como uma réplica perfeita, diariamente resplandece no rosto de uma menina
- prova viva que um dia, entre nós, o amor existiu. Hoje cumprem-se dois anos
de eterna saudade. E eu continuo a cumprir o que te prometi. Enquanto a força
me dominar a vontade, vou continuar-te, amando pelos dois o nosso maior
tesouro.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
5 de julho - Feira do Livro de Olhão
Informo os meus queridos amigos e leitores que estarei presente na Feira do Livro de Olhão, quarta-feira, dia 5 de julho, pelas 19h, no Pavilhão Literatura Reunida, à conversa com o amigo escritor e editor Pedro Jubilot.
Para quem desejar, o meu livro "SobreViver" estará à venda e eu terei todo o gosto em cumprimentar e escrever dedicatórias a todos os que tiverem a gentileza de aparecer.
Marquem na agenda, quarta-feira, 5 de julho, 19h, no Jardim Patrão Joaquim Lopes em Olhão (junto ao mercado da fruta).
sábado, 6 de maio de 2017
Desabafos salteados
Em caso de dúvida, escolhe sempre despojar-te de ti. Desprende-te das amarras da tua egoísta vontade e opta por ficar onde podes ser mais útil. Não a ti, aos outros. Estamos aqui para nos servirmos uns aos outros e nessa benigna servidão fazer cumprir a nossa missão existencial.
terça-feira, 18 de abril de 2017
23 de abril - Fnac de Faro
O SobreViver chega aos escaparates da Fnac de Faro, no Fórum Algarve, domingo, 23 de abril, Dia Mundial do Livro, às 18h. A apresentação do livro será feita pela escritora Ana Amorim Dias e João Pereira interpretará algumas leituras. Estão todos convidados.
terça-feira, 4 de abril de 2017
9 de abril - XIII Feira do Livro da Fuzeta
A convite da Associação Foz do Êta, o SobreViver está presente na XIII Feira do Livro da Fuzeta, com uma sessão de apresentação marcada para domingo, 9 de abril, às 15h, que será feita por Filomena Calão, na presença da autora. A entrada é livre. Estão todos convidados.
segunda-feira, 20 de março de 2017
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