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Mensagens

És segredo

A falta que me fazes E que não sei explicar É este poema Trago um peso pendurado ao peito Que se desprende num suspiro E mesmo assim não conhece alívio Continuo seguindo os teus passos Como se te procurasse Como se te quisesse encontrar Em toda a parte Vejo-te onde não existes Reflexo omnipresente Estás até onde não estás Levo-te e trago-te em mim Preso em silêncio Mudo e secreto Meu inconfessável amor

O Verão da amizade

Os amigos encontram-se na soma dos gestos. Uma dose de alegria e outra de sabedoria são quanto baste para que duas mãos se apertem na confiança do calor que as une. Um amigo pode nascer de uma palavra ou de um sorriso, de uma gargalhada ou de um acaso feliz. Ao encontrar um amigo há sempre uma janela que se escancara descortinando-nos a mente, permitindo que se revele o melhor de nós. Um amigo que nos descobre tem vocação de marinheiro, daqueles que ao longe avistam terra firme onde é seguro aportar. Os amigos têm mãos capazes de acariciar sonhos e asas para oferecer se quisermos voar. Um amigo é capaz de soprar até ser vento e transportar-nos mais alto ou mais longe, sempre mais e mais além. Não há amigos e amigos. Há amigos e inimigos. Os outros são conhecidos. Seres que partilham um espaço ou um tempo sem o compromisso da continuidade a que se chama amizade. Um amigo não é um ombro, é um travesseiro humano que nos embala e adormece as dores que a vida teima em nos infligir. Cair ...

Deserto feliz

Juro-te nunca mais Implorando-te para sempre Sermos esta poesia De sangue quente Na noite fria Eternamente, eternamente Quantas vezes me basta Esse olhar, só esse olhar Para viajar, viajar Sem rumo nem tempo És um destino incerto E eu ponto de partida, Bilhete só de ida, Para um lugar deserto Um futuro chamado vida

As horas

Estamos tão certos Como dois ponteiros Que se encontram nas horas Somos meia-noite Somos meio-dia Badalamos na euforia De estarmos de novo juntos Ao mesmo ritmo Contamos segundos E sentimos mudos A certeza que se repete E nos une Cantada a badaladas Afastados, giramos Somos dois E depois, Num segundo Pára o mundo Para num abraço Voltarmos a ser um só Somos meia-noite Somos meio-dia Somos a pura magia Dos breves reencontros Havemos de trocar as voltas Às horas da vida Para que ela nos seja longa, Esticada, comprida Para sermos dias e noites pegadas Luares e alvoradas Até ao fim

Solidões

Hoje vou contar-te O que é a solidão São os silêncios demasiado longos As vozes de conforto que tardam Os abraços demorados de chegar São as horas e os lugares preenchidos de ausência Pessoas fora do lugar Que não estão onde deveriam estar É a busca permanente de uma distracção vaga Que apenas enche o buraco Sem nunca ser capaz de o tapar É ser casado com quatro paredes Filho de pais sem colo Órfão de filhos distantes É o corpo perdido que sente Toda a mente ausente É a pergunta que alguém faz E ninguém responde É a dúvida suspensa no ar A solidão Sou eu Sempre que tu não estás  Versão audio por João Pereira:  https://soundcloud.com/jpolhao-1/solidoes-claudia-sofia?utm_source=soundcloud&utm_campaign=share&utm_medium=facebook

Amnésia nocturna

Procuro o silêncio para pensar-te Ou busco uma melodia triste E choro-te baixinho Um choro escondido de ferida exposta Um choro abafado de almofada A dor que me rasga o peito É o grito que não sei dar É a música demasiado alta Que ecoa pela caverna funda Onde o coração encolhido se esconde A pele é a pauta por onde dançam as notas Como se fossem de novo teus dedos Arrepio-me! E o som ganha força de pranto Penso-te e choro-te baixinho Batendo à porta da noite Só ela pode acolher-me E apagar-me a memória breve Do que não consigo esquecer

Amar salgado

O mar não sabe Que a cada onda Rebentas em mim Pensamento repetido Como um Sol Abrasas-me Sopro de gente Ainda te aguardo Abraço de gelo salgado Salva-me a vida com beijos Sou náufraga Deste amor intenso, imenso Do tamanho do mar