É tão bom estar aqui em silêncio. Apenas eu, o computador, o doce ruído das teclas e a nova secretária. Há muito que desejava um canto. Mesmo um recanto que fosse. Um cantinho só meu, nesta minúscula casa, onde me pudesse recolher a sós com os meus pensamentos. Um refúgio onde pudesse desembrulhar as ideias, como quem desenrola um novelo de lã. Deixar-me embalar pela Mãe noite, que na lucidez do seu silêncio, me alivia as dores, indicando-me o caminho a seguir. Amanhã, ao acordar, promete-me, o mundo parecerá melhor. E a promessa cumpre-se sempre. Mesmo quando as manhãs de chuva nos fazem resmungar muito antes de abrirmos sequer a janela para inalar a brisa matinal. O mundo, este espaço que nos acolhe os corpos, anoitece febril, adormece enfermo, mas amanhece sempre com votos de um dia feliz. E por falar em felicidade, hoje estou muito feliz com a minha nova secretária. Tão feliz que o mundo, este meu mundo que é também o vosso, me pede para partilhar este estado de graça. Sinto que chegou a hora de tirar os sonhos da gaveta. Sinto que o sonho começa aqui. O sonho começa agora.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

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