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As intermitências do sentir

Os sentimentos são como as ondas do mar. Por vezes recuam, partem, libertam-se de nós e vão com vontade própria, como se nunca nos tivessem pertencido. E voltam, quando já não os esperávamos, quando já não tínhamos lugar reservado para eles. Tal como uma onda forte, rebentam sobre nós num turbilhão, podendo até derrubar-nos. Depois, voltam atrás e regressam já mais suaves, como uma carícia de espuma que apenas cobre a pele ao de leve. Há dias em que o mar está chão. Nesses dias reencontramos a paz, a doce tranquilidade de não sentir. No dia seguinte, sem aviso nem previsão possível, um marmoto. Ondas gigantes de sentimentos que nos abalam como um sismo, que fazem estremecer os pilares da nossa existência. Amar como uma onda que vai e vem, numa valsa sensual de areia e água, elementos apaixonados que se misturam mas não se podem dissolver, acabando por separar-se sempre. Os sentimentos são como as ondas do mar. Nascem de parte incerta, das profundezas de um oceano qualquer, de um ponto invisível de um horizonte longínquo. Sem regra ou rumo ou sorte definida, crescem a toda a fúria, erguem-se a ritmos destemidos e acabam por desfalecer miseráveis, esquecidos do seu real propósito, significado ou razão.

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