Não te vou dizer adeus. Reservo essa palavra para as
despedidas eternas. Vivemos uma Primavera onde apanhámos flores e avistámos o
arco-íris. Sempre que o Inverno se pôs à espreita, soprámos nuvens e dançámos à
chuva. Tentámos a sorte mas tivemos azar. Deixámos o barco do amor naufragar. Saltámos
borda fora num túnel chamado noite. Só um mergulho na solidão nos poderá
resgatar. Enquanto não abrandar o fôlego nem voltar a raiar o dia, a única luz
ao fundo do tempo será a recordação brilhante do nosso olhar.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

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