Nós, os que
buscamos a paixão a cada passo, ao virar de cada esquina, falamos a mesma
língua. Só nós nos entendemos e reconhecemos ao primeiro olhar. Andar pela
linha do meio, pé ante pé, não é para nós. As almas transbordantes não gostam
de copos meio cheios nem meio vazios. Abominam todo o tipo de planaltos. Ou é
montanha ou é planície. Ou é tudo, ou não vale nada. Nós os que, a poder
escolher entre o “não dói nada” e o “isto vai doer”, seguimos em frente,
sabemos que não doer é sinónimo de não viver, não sentir dor é uma espécie de
morte antecipada. Nós, os que arriscamos tudo sabendo que tudo podemos perder,
somos os únicos que em dias de sorte podemos ganhar um jackpot. Quem tudo quer, tudo perde. Mas, quem nada quer, nunca
ganhou nada.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

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