Nós, os que
buscamos a paixão a cada passo, ao virar de cada esquina, falamos a mesma
língua. Só nós nos entendemos e reconhecemos ao primeiro olhar. Andar pela
linha do meio, pé ante pé, não é para nós. As almas transbordantes não gostam
de copos meio cheios nem meio vazios. Abominam todo o tipo de planaltos. Ou é
montanha ou é planície. Ou é tudo, ou não vale nada. Nós os que, a poder
escolher entre o “não dói nada” e o “isto vai doer”, seguimos em frente,
sabemos que não doer é sinónimo de não viver, não sentir dor é uma espécie de
morte antecipada. Nós, os que arriscamos tudo sabendo que tudo podemos perder,
somos os únicos que em dias de sorte podemos ganhar um jackpot. Quem tudo quer, tudo perde. Mas, quem nada quer, nunca
ganhou nada.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

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