Gostava de saber dizer tudo o que és e o que
significas para mim. Mas todas as palavras me parecem tão pequenas que te abreviam.
Ao olhar-te, neste amor crescente que só as mães conhecem, ainda me espanto com
a grandeza do milagre que fui capaz de gerar. Todos os dias me ajudas a revelar
o melhor de mim. Ensinas-me a paciência, ao ritmo das brincadeiras que nunca podem
esperar. És criança agora e tenho de aprender a respeitar esse tempo, efémero e
irrepetível, do qual vou ter tantas saudades. São as tuas prioridades que pautam
as minhas rotinas. São as tuas vontades que despertam a minha energia. Todos os
dias confirmo que para uma mãe não há limites de força e coragem. E quando me
sinto fraquejar, és o meu ombro e o meu colo e a mão que me resgata para a
vida. A paz do meu sono depende unicamente do doce respirar da tua pele. É
assim que me despeço dos dias. Inalo-te e adormeço feliz, há oito anos.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

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