O que se demora acontece de repente. Na alegria do é agora,
todo o tormento da espera se esvai. Bendito seja o esquecimento! O tempo é tão
relativo quando se deseja o que não chega. Cada dia pode parecer um ano, cada
semana, uma eternidade. E quando surge o momento, aquele que alimentou suspiros
e sonhos, faltam as palavras. A perfeição é tão efémera quanto indescritível.
Quanto tempo dura a felicidade? Um momento. O beijo, até que em fim. A glória
ingénua do canudo na mão. A esperança eterna do sim no altar. O choro feliz que
dá à luz. O pódio. A ribalta. O suspiro que procede do livro editado. O
instante em que a vida, finalmente, acontece.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

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