Quando
a minha avó me levava ao parque, eu tinha cinco anos e ainda sabia ser feliz. A
avó levava sempre a minha mão bem apertada pelo medo de não me deixar fugir. Esses
dias eram sempre finais de tarde de verão, daqueles que o Sol gosta de
prolongar até que resolve esconder-se. Depois de jantar, lá íamos nós, rua
acima, pela fresquinha – como ela dizia – agradada com a brisa que antecede o
anoitecer. Lá em casa, jantávamos cedo, às seis da tarde já a comida estava na
mesa. Era assim por causa do avô. Ele chegava das obras com a roupa e as botas
pesadas de cimento e tomava sempre banho antes de ocupar o seu lugar cativo à
mesa. Depois, com as mãos espessas e ásperas de tanto acartar baldes de massa,
cortava uma fatia de pão. Vida dura a do avô. As obras começavam sempre cedo,
sobretudo no verão, para fugir à braseira estival. Vida dura a da avó. Uma vida
feita de espera e de cuidar dos outros. Mas nem um lamento. Daquela boca só
saíam jóias e rebuçados. Daquelas mãos, só carinho. Daquele colo, só conforto.
Daquele tempo, só saudades. E o cheiro inconfundível da sombra noturna dos eucaliptos.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

Muito bom, parabéns.
ResponderEliminarMuito bom, parabéns.
ResponderEliminarMuito obrigada!
ResponderEliminar