Naquela noite, a
natureza prendeu-nos nos braços um do outro. Não adianta fugir quando até a
natureza nos empurra na direção da nossa vontade. Há momentos em que devemos
ceder ao ímpeto do desejo e aceitar o inevitável. Esses são os momentos a que
se chama viver. O resto é a passagem do tempo que nos permite crescer e
aprender. É a preparação para os instantes de suprema felicidade que
esperamos durante anos. Enclausurados na
escuridão da casa assombrada, os nossos olhos encontraram-se no clarão de um
relâmpago, fazendo-nos estremecer como o trovão que se seguiu. E foi então que,
num impulso magnético, as nossas bocas se colaram como ventosas. Nessa noite
tenebrosa, ficámos imunes ao medo. E nada mais conhecemos senão o conforto do
amor.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

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