Mulher sempre pronta a cuidar e perdoar, sem reservas nem condições. Alguém que tudo dá, sem nada esperar (ou exigir) em troca, porque toda a felicidade passa a nascer da alegria do ser gerado. Alguém capaz de suportar todas as dores, esgotada e faminta, só porque disse sim à maior de todas as missões (e desistir nunca será opção). Alguém eterno e omnipresente, com vida para além da morte, enquanto persistir na memória a ternura do primeiro abraço de amor embalado contra o peito. Mulher insubstituível que, na invisibilidade dos gestos, sem almejar aplausos, vive na esperança da recompensa maior: conseguir oferecer ao mundo um exemplar valor humano.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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