Queria
confessar-te que os sinos tocaram dentro de mim naquela noite. Desde o primeiro
instante, olhei-te com um afecto inusitado, sem lugar para porquês. Surgiste
como uma aparição. Um rosto divino tão harmonioso em todas as suas humanas
imperfeições. Meio homem, meio Deus, digno de um pedestal. A ti dirijo a minha
prece ajoelhada que em silêncio grita o teu nome, redentor.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

Comentários
Enviar um comentário
Se gostou deste artigo, ou tem uma palavra a acrescentar, agradeço imenso que deixe o seu comentário.