Depois da liberdade, a justiça é a dignidade maior que um
homem pode experimentar. Que a vida é injusta e que o mundo é dos espertos, somos ensinados a crer. Mas há sempre um dia em que a esperteza não chega, a
astúcia é traiçoeira, a raposa cai no seu próprio ardil e se faz jus à mais
inocente das criaturas. Porque a verdade é lei, a mentira deve-lhe obediência.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

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