Os dias passam,
repetidamente, num folhear rápido de calendário. Esgota-se o tempo em noites
insones e há amanhãs sonhados que teimam em não chegar. Com infinita paciência,
persistem as preces repetidas aos deuses surdos-mudos. Saúde aos doentes,
abundância aos carentes, curas de amor aos que não encontram remédio para as
tristezas mais profundas. Os prazeres efémeros, pagos com sacrifícios
extenuantes, valem o que valem. E, repetidamente, é o cansaço que toma conta de
nós, numa espiral de suor e lágrimas tão inutilmente repetida.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

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