O meu pai não se chama José, nem sequer acredita em
Deus. Mas é o ateu mais cristão que conheço e tem nome de profeta. Homem de
grandes virtudes, Eliseu demonstra mais do que diz, cumpre mais do que promete.
Podia ser mais generoso a distribuir beijos e abraços mas nem isso é defeito, é
apenas feitio. De todos os ensinamentos maiores, devo-lhe a liberdade de
escolha e de pensamento. Nunca me obrigou a ser ninguém que não sou, a fazer
nada a contragosto ou vontade. Ensinou-me sim a
liberdade, sinónimo de responsabilidade, e assim a tenho cumprido. Nunca me
impôs habilidades ou religião, curso, namorado ou profissão. Nessa tamanha
liberdade de ser, deixou-me uma só condição: se errasse, que soubesse lidar com
as consequências. Ainda assim, o desamparo nunca foi castigo e a mão invisível
de pai esteve sempre comigo, nas horas de maior aperto. Pai, és um bom homem e
um homem bom. Pai, agora grisalho, és um magnífico avô. Pai, na terra és grande
como o céu. E aqui és meu Pai, senhor Eliseu.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...
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