Julgava eu que sabia o caminho. Andava às voltas, sem sair do lugar. Desejos sem sentido, ambições sem valor. Um dia, ao despertar, a estrada surgiu como uma revelação. Em redor, tudo era luz e direção. Tudo era espaço e liberdade. Tudo era viagem infinita para o destino dos sonhos. Num instante, tudo se fez lugar de repouso para o meu coração selvagem.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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