Desejo libertar-me deste ano atípico, com o alívio com que descarto cada máscara para o lixo. Um ano perdido que nos fez reféns de um vírus, onde é que já se viu? Não basta a vida ser curta para realizarmos tantos sonhos? O futuro adiado aniquilou-nos o ânimo. As oportunidades perdidas roubaram-nos o alento. Mas a esperança é uma chama que não se apaga de um sopro. Continua a arder-nos cá dentro, ainda que tudo em redor seja pedra e gelo. O ambiente é inóspito, a estrada que se vislumbra para chegar a algum lugar é longa demais, as forças soçobram, mas a ideia de recomeço acalenta-nos sempre com um bafo de novas possibilidades. Havemos de bater às portas desejosas por se abrir e conhecer as pessoas certas que nos ajudem a cumprir propósitos. Havemos de ser capazes de concretizar aquele projeto há tanto adiado apenas por preguiça. Havemos de aprender a transformar as fraquezas em forças e as ameaças em oportunidades, jogando a nosso favor o marketing da vida. Havemos de ser criativos e superar, de forma inteligente, tantas derrotas temporárias, para sairmos vencedores desta guerra invisível que nos tem destruído por dentro. Havemos de ser capazes de só pronunciar palavras de bem e de nos reconciliarmos, primeiro connosco, depois com todos os que nos tenham ofendido. Havemos de ser abrigos da paz em tempos de revolução, para que o caos exterior não tenha espaço para habitar em nós. Havemos de ser oportunidade, sabedoria, realização e prosperidade em 2021, rasgando 2020 aos calendários como se nunca tivesse existido. Apaguemos da memória “o ano da máscara”, como quem esquece um pesadelo ao acordar, e despertemos para o novo ano com uma renascida energia de viver. Afinal, sobrevivemos, e podemos sempre recomeçar.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

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