Estamos à espera do fim ou de um novo começo. As forças fraquejam como se nos tivessem engessado os membros e asfixiado o cérebro durante muito tempo. A paciência esgota-se, gota a gota, na contagem infinita dos dias. A vida em casa tem sido útil para quem se cuida, tem projetos em curso, ou deseja aprender. Para os outros, um desperdício e um desconserto. Quantas mentes vão sair desaparafusadas desta pandemia? Quantos pobres já deixaram de saber fazer contas? Quantas bocas anseiam pelo milagre da multiplicação do pão nosso de cada dia? Depois da vacina, quantos anos vai demorar a chegar a cura para todas as consequências paralelas desta doença? Alimentemo-nos de fé e acreditemos, uma vez mais, no milagre português.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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