Ainda espero que a felicidade me bata à porta, numa daquelas noites de insónia em que a inquietude nos desperta sem compreendermos porquê. Um telefonema fora de horas, um toque sinistro na campainha às duas da manhã, um sobressalto agudo a fazer ferver o sangue e estremecer o coração. A vida subitamente a pulsar nas veias. De sorriso grande, do lado de fora da porta, uma presença tão esperada quanto inesperada. Porque é que demoraste tanto? Pergunto. O tempo de Deus não é o nosso, respondes, sem perder nem mais um segundo da vida que nos resta para sermos tudo o que temos sonhado.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
Parabéns texto muito agradável! Bravo 👏
ResponderEliminarMuito obrigada! 😊
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