Enquanto os homens ficam para defender a pátria, as mulheres partem para proteger os filhos. Num cenário de guerra, acentua-se a solidão maternal das mulheres, predestinadas à missão maior de garantir a continuidade da descendência. Os homens arriscam a vida, as mulheres carregam a sua e outras tantas ao colo, até à incerteza de um destino seguro. Sempre que um homem fica para trás, por imposição ou vontade própria, uma mulher é obrigada a munir-se de coragem para seguir em frente. Um filho acaba por ser a força motriz para continuar a caminhar. Nos escombros dos sonhos, arruinados pela vida que não aconteceu conforme o esperado, os filhos são o oxigénio das mães asfixiadas pelo desespero.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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