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Mensagens

Adeus, marinheiro

Faz hoje uma semana que embarcaste na derradeira viagem. Trajado a rigor, partiste como sempre viveste: depressa demais. Sem tempo para envelhecer. Agora, nunca mais. Nunca mais o teu sorriso alvo. Nem os cabelos grisalhos ao vento, tão alvoroçados como a tua voz. Agora és um vazio que vamos preenchendo de memórias. E tantas que nos deixaste. Eras intenso em tudo o que fazias. “Onde é que andaste embarcada?”, perguntaste-me no dia em que entramos no mesmo barco. Mal sabíamos que era o barco do amor. Nesse tempo, deste-me mundo. E juntos criámos vida. Viverás para sempre num rosto de criança, mistura perfeita dos meus e dos teus traços. A partir de agora, recordar também será viver. De alma ainda esfaqueada, numa anestesia geral dos sentidos, eu prometo: vou continuar-te.

Reportagem # 49

"Dica da Semana", edição regional Algarve, 17 de Setembro 2015

Reportagem # 48

"Dica da Semana", edição regional Algarve, 10 de Setembro 2015

Reportagem # 47

"Dica da Semana", edição regional Algarve, 30 de Julho de 2015

Nunca digas adeus

Não te vou dizer adeus. Reservo essa palavra para as despedidas eternas. Vivemos uma Primavera onde apanhámos flores e avistámos o arco-íris. Sempre que o Inverno se pôs à espreita, soprámos nuvens e dançámos à chuva. Tentámos a sorte mas tivemos azar. Deixámos o barco do amor naufragar. Saltámos borda fora num túnel chamado noite. Só um mergulho na solidão nos poderá resgatar. Enquanto não abrandar o fôlego nem voltar a raiar o dia, a única luz ao fundo do tempo será a recordação brilhante do nosso olhar. 

Reportagem # 46

"Dica da Semana", edição regional Algarve, 25 de Junho de 2015

Palmas para Viviane

Três palavras para descrever o concerto a que assisti ontem à noite: um momento inesquecível. No primeiro de dois espectáculos comemorativos dos 10 anos de carreira a solo, no Auditório Municipal de Olhão, Viviane entrou em palco e a sua voz inundou a sala. Num primeiro tema, sem acompanhamento musical, a cantora afirmou-se serena e segura, numa confiança que só a maturidade confere. Num estilo único que entrelaça o melhor do Fado, do Tango e da Chanson francesa, a voz de Viviane enaltece os seus próprios poemas e outros de grandes nomes como Amália e Ary dos Santos ou José Luís Peixoto. Sem esquecer uma palavra de gratidão ao tempo dos “Entre Aspas”, banda da qual foi vocalista durante 15 anos, e ao poeta olhanense Fernando Cabrita, o momento alto da noite foi a entrada em cena do couro do Conservatório Municipal de Olhão, a acompanhar o magnífico tema   “A vida não chega”   do álbum “Amores imperfeitos” de 2005. O jogo de luzes e os efeitos cénicos, aliados à magia das ...