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Adeus, marinheiro

Faz hoje uma semana que embarcaste na derradeira viagem. Trajado a rigor, partiste como sempre viveste: depressa demais. Sem tempo para envelhecer. Agora, nunca mais. Nunca mais o teu sorriso alvo. Nem os cabelos grisalhos ao vento, tão alvoroçados como a tua voz. Agora és um vazio que vamos preenchendo de memórias. E tantas que nos deixaste. Eras intenso em tudo o que fazias. “Onde é que andaste embarcada?”, perguntaste-me no dia em que entramos no mesmo barco. Mal sabíamos que era o barco do amor. Nesse tempo, deste-me mundo. E juntos criámos vida. Viverás para sempre num rosto de criança, mistura perfeita dos meus e dos teus traços. A partir de agora, recordar também será viver. De alma ainda esfaqueada, numa anestesia geral dos sentidos, eu prometo: vou continuar-te.

Comentários

  1. Eu acho que o texto está espectacular. Gostava de poder expressar o que sinto pelo meu irmão, da mesma forma. Mas os pensamentos estão cá dentro e saem para fora numa explosão continua de alegria e de tristeza. O que fazer? Seguir em frente com passos pequenos e desequilibrados numa tentativa de viver de novo sem um grande pedaço de nós. Adoro-te meu irmão. Estarás sempre aqui num cantinho do meu coração, como tive oportunidade de te dizer. Até sempre.

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    1. Perpetuar e honrar a sua memória, é tudo o que podemos fazer. Este pequeno texto é apenas um começo.

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