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Mensagens

ANO APÓS ANO

Por mais que tentemos, que arrisquemos, que nos esforcemos com intensidade, ano após ano, há sonhos que insistem em não se realizar. Neste dia, repetidamente, ano após ano, é tempo balanços. Como numa empresa, apuramos o saldo final. O que ganhei? O que perdi? Onde falhei? O que aprendi? O que fazer para melhorar na saúde, no amor, na prosperidade? Quantas vezes terei mais de falhar até conseguir realizar-me? Este dia, que levanta todas as dúvidas que nos cobrem a existência, não nos oferece respostas. Apenas promessas vãs de esperança em dias melhores que estão sempre por vir, mesmo que nunca cheguem. O dia 31 de dezembro é um lugar utópico, algures entre o céu e o inferno, onde livremente nos é permitido sonhar. É dia de despejar lixos, arrumar gavetas, fechar portas, abrir janelas. É hora de dar a mão aos que queremos transportar connosco para o novo ano e de deixar partir os que já não têm espaço para habitar em nós.  É também tempo de gratidão. De louvar cada experiência, cada...

6x7

Sempre ouvi dizer que evoluímos na vida em ciclos de 7 anos. Se assim é, inicio hoje a sexta ronda na eterna busca pela felicidade. Aos 7, era a menina tímida que se deslumbrava com o saber na escola primária. Aos 14, era a adolescente que vibrava nas euforias e desilusões do primeiro amor. Aos 21, era a universitária que idealizava uma carreira de sonho. Aos 28, dava corpo ao milagre da vida e tornava-me mãe. Aos 35, no auge da vida adulta, perdia para a morte alguém que muito amei. Agora, salto a pés juntos para os 42, na certeza que grandes mudanças estão a caminho. Hoje sou o resultado da soma e multiplicação de todos estes anos. Hoje sou 6x7, uma mulher na maturidade sólida dos 42, que rasga o caminho e afugenta as dificuldades à sua passagem, pela firmeza dos seus passos. A avaliar pela grandeza dos desafios superados, arrisco dizer que os próximos 7 anos prometem ser os melhores de sempre. Que todos os sonhos me encontrem e se cumpram na realidade dos dias!

A SAUDADE DESPERTA AO PÔR DO SOL

Aquela hora em que sempre penso em ti. O dia fecha-se como um livro terminado e o pensamento ganha asas na tua direção.  Daqui, sopro-te um beijo de saudades, na esperança de encontrar aberta a janela do teu coração.

TUDO O QUE TEMOS SONHADO

Ainda espero que a felicidade me bata à porta, numa daquelas noites de insónia em que a inquietude nos desperta sem compreendermos porquê. Um telefonema fora de horas, um toque sinistro na campainha às duas da manhã, um sobressalto agudo a fazer ferver o sangue e estremecer o coração. A vida subitamente a pulsar nas veias. De sorriso grande, do lado de fora da porta, uma presença tão esperada quanto inesperada. Porque é que demoraste tanto? Pergunto. O tempo de Deus não é o nosso, respondes, sem perder nem mais um segundo da vida que nos resta para sermos tudo o que temos sonhado.

REZA POR MIM

Foi com o olhar que se abraçaram e beijaram no reencontro. A máscara encobria-lhes o sorriso mas amplificava-lhes o olhar. Era transbordante a luz com se contemplavam. Tinham o sol dentro do peito e uma ventania a varrer-lhes a alma. O silêncio era o cântico dos cânticos, deixando ecoar a melodia perfeita dos corações afinados. Em vez de palavras, trocaram orações em pensamento. Reza por mim que eu rezo por ti. Haverá maior jura de amor eterno? 

COLO DE MÃE

Num segundo, cortaram-nos o cordão e eu chorei. No clarão que me invadiu o sono, vi-me a  atravessar a solidão da vida e tive medo. Quis de volta o teu colo, mãe, o teu ventre para me  esconder de todas as dores que já me espreitavam logo ali. Tive tanto medo da vida, mãe, que  voltei a chorar. Chorei muito. Mas tu, mãe, cuidaste de mim, como ainda hoje desejo que  cuides todos os dias. Quem me dera, que ainda me pudesses pegar ao colo, mãe, sempre que  o medo espreita, de todos os ângulos da vida. Para que num suspiro, mãe, eu voltasse à  inocência, embalada pela paz que só existe no aconchego do teu seio .

FILHA DA LIBERDADE

Sou filha da liberdade.  Honrarei minha mãe até ao fim dos dias, Abril após Abril, em sinal de eterno respeito pelas dores de parto.  Ainda que os cravos murchem, na lapela dos sem-vergonha, a esperança ainda é verde e pode ser replantada nos corações sem medo.  Gritarei sempre pela liberdade, como criança perdida que clama pela mãe.  E de volta ao colo da coragem, serei sempre livre para viver e sonhar, porque mãe que é mãe não abandona os seus filhos à má sorte.