Todas as manhãs saio de casa e retomo a minha viagem. Entro no carro e entrego o volante ao meu destino, deixando que ele me guie sobre as linhas que, a tracejado, vão surgindo no caminho. Não sei bem para onde vou, mas hei-de lá chegar. Algures onde a minha presença é necessária. Missão cumprida, retomo a estrada e sigo viagem. Será longa, será curta? Nunca sei. Apenas quero e desejo sempre seguir em frente e fazer uma boa viagem.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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