Num tempo em que tudo é urgente, em que tudo são impossíveis, garantir o essencial parece tão pouco. Na verdade, é escusado fazer grandes planos, a vida encarrega-se de levar-nos à deriva de constantes imprevistos. O melhor é deixarmo-nos levar, com leveza, flutuando sobre a maré de acontecimentos. Quando a saúde é uma emergência, tudo o que era para ontem fica adiado para um dia destes, para quando for possível. Numa vida limitada aos serviços mínimos, garantir o conforto de quem amamos, cuidando e protegendo a nossa razão de viver, é o essencial. Sendo possível garantir o hoje, o amanhã pode sempre esperar.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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