Por mais que me esforce, não consigo lembrar-me quais as
últimas palavras que trocámos. Talvez tenha sido apenas um sorriso triste, de
mãos entrelaçadas sobre uma cama de hospital. A doença, como um aviso prévio,
deu-nos o tempo para não deixar nada por dizer, nada por fazer. Todas as mágoas
se desvaneceram, perante a imposição de um inevitável adeus. “É agora?”. Recordo-me
de teres perguntado numa ocasião, ainda vagamente consciente, enquanto já
esperavas pela morte com a certeza serena que sempre te admirei. Sem medo,
revolta ou porquês, entregaste-te à morte como sempre te abriste à vida:
destemido! “Quando a morte nos sorrir, só temos de lhe sorrir de volta”,
repetias sempre. E assim o cumpriste. Talvez a nossa última palavra trocada
tenha sido apenas esse sorriso, aquele que farei perpetuar na memória até ao último
dos meus dias. Aquele que revejo nas molduras espalhadas pela casa com as quais
insisto em conversar, sem nunca conseguir mais do que solitários monólogos. Aquele
que, como uma réplica perfeita, diariamente resplandece no rosto de uma menina
- prova viva que um dia, entre nós, o amor existiu. Hoje cumprem-se dois anos
de eterna saudade. E eu continuo a cumprir o que te prometi. Enquanto a força
me dominar a vontade, vou continuar-te, amando pelos dois o nosso maior
tesouro.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

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