Chegar aqui sem nunca ter recorrido ao
psicólogo, ou até mesmo ao psiquiatra, é uma proeza genial. Mas só atingem esse
extremo da dor os que vivem apaixonadamente e sem limites. Loucos são aqueles
que se aproximam dos quarenta sem histórias para contar, cicatrizes para
exibir, ainda muitos sonhos por realizar… Hoje faço anos e digo trinta e nove,
saboreando cada sílaba com o prazer da experiência. Digo trinta e nove, com o
sorriso sereno da maturidade, aquele que já não precisa de motivo ou razão por
ser tão essencial quanto respirar. Digo trinta e nove sem pressa, porque tudo
tem o seu tempo e já compreendi que a minha vontade só acelera o que depende unicamente
de mim. Tudo o resto é saber esperar. Digo trinta e nove com a alegria de quem,
finalmente, tem amigos de verdade, daqueles que vibram com as tuas
bem-aventuranças e são os primeiros a chegar quando o choro se impõe. Digo orgulhosamente trinta e nove com a certeza de que não queria ter outra idade,
pois esta tem a beleza da juventude sábia e assenta-me tão bem. Digo trinta e
nove com gratidão, por ainda ter pais e avós, por ter um labor que me sustenta
e uma saúde tranquila, orientada pela paz que me dirige. Ao som dos grilos que
pautam o silêncio noturno, antes de adormecer, grito trinta e nove contra o
vento, exibindo a minha suprema de liberdade, ao começar este dia de
aniversário natalício da forma mais perfeita possível: a fazer o que mais gosto
– escrever.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

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