Repito-me
para me aperfeiçoar. Reitero-me para me confirmar. Sou pleonasmo, redundância,
rotina perseverante em tudo o que me faz bem. Posso alimentar-me todos os dias
do mesmo sabor, usar o mesmo perfume, amar a mesma pessoa. Porque nada do que
me agrada me enjoa. O tédio nasce da repetição do desagrado.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
Comentários
Enviar um comentário
Se gostou deste artigo, ou tem uma palavra a acrescentar, agradeço imenso que deixe o seu comentário.