Passos vagarosos arrastam-se pelas margens da vida, nas tardes litorais de domingo. Nada os consegue apressar, na secreta esperança de chegarem atrasados ao fim do tempo. Vão de braços entrelaçados, bengalas humanas uns dos outros, contando a miudeza das pegadas invisíveis. Nas breves tardes que espreitam o inverno, o sol hiberna e o peso dos agasalhos, somado à idade, sobrecarrega quem já nada pode. Nos rostos, destinos desenhados a dor. E no olhar, apenas o mar, na serenidade acabada de beber. À espera de uma ordem divina, morte certa por marcação, continuam na incerteza do caminho, com a garantia de que o futuro será beco sem saída.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...
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