Procurei-te em tantas pessoas erradas. Na sombra dos versos. No avesso dos caminhos. Nas águas onde mergulha o verão. Nas manhãs desertas e nas noites fingidas. Nos bolsos e nas gavetas. Nas multidões anónimas e atrás das portas. Na terra do pecado e no país dos sonhos. Procurei-te e talvez ainda te encontre. Amanhã ou depois. Algures, num lugar sem medo, onde a vontade vence os limites e o desejo abraça quem mais se quer. Em breve, talvez ainda te encontre.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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