É domingo e tenho saudades de ir à missa. Muitos vão rir, outros vão ter a tentação de gozar com este meu desabafo, mas é verdade. Os cristãos por convicção, ao contrário dos cristãos por tradição, vão à missa porque gostam e sentem um vazio enorme quando, por alguma razão, não podem ir. Até isso a Pandemia nos roubou: o prazer de ir à missa. Aquela hora de encontro marcado com Deus, porque connosco próprios, de corpo e pensamento serenados no mais profundo de nós. Hoje a missa veio até mim pela Internet. Modernices necessárias em tempo de isolamento. Mas não é a mesma coisa. Nunca será a mesma coisa. Porque a missa é também um reencontro de amigos, um fruir de uma energia coletiva que dá força, um ritual de gestos, simbologias, cânticos e repicar de sinos, que encerra toda uma beleza. Hoje é domingo de ramos (sem ramos), o início da semana Santa mais atípica e virtual que muitos cristãos já viveram.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

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