Mesmo em casa, os dias passam a correr, mas este tempo parece nunca mais ter fim. O horizonte é o dia de amanhã e ninguém consegue ver mais além. Acordar vivo e de boa saúde, no conforto do lar, já é tão bom que nem arriscamos sonhar mais alto. Proponho-me fazer demasiadas coisas e chego ao fim do dia com intermináveis listas de afazeres incompletas. Amanhã também é dia, logo faço. Como é que se desliga o botão da cabeça, para nos voltarmos a focar objetivamente em algo produtivo? Dos e-mails ganhei pavor, sobretudo quando começam a cair faturas como pedras. Receber menos (ou alguns até nada) e continuar a pagar, pagar, pagar... Quem é que aguenta? Quem é que resolve, se a culpa não é de ninguém? Há quem invente costurar máscaras ou outras utilidades mas, tirando o negócio da morte, da saúde e dos bens essenciais, nada é ganha pão por estes dias. Nem aos artistas lhes servem os dons. O palco da vida está vazio e o espetáculo foi cancelado. Até ordem a perder de vista, continuaremos todos a sobreviver em stand-by. Resta-me por o rímel e o batom, para ir despejar o lixo, com o entusiasmo sorridente de quem vai para a festa.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...

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