Avançar para o conteúdo principal

A POLÍTICA PRECISA DE TI










Tudo é política e a política precisa de todos. Sobretudo daqueles que se julgam menos chamados e capacitados a participar. A política precisa da energia dos jovens, da polivalência das mulheres e da sabedoria dos idosos. Ao contrário do que muitos pensam, a política não é uma profissão restrita, é uma missão, por isso pode e deve ser abraçada por todos, em qualquer fase da vida. 

A melhor forma de contribuir para a mudança é cada um de nós ser parte da mudança, denunciando as injustiças, apresentando ideias e propostas inovadoras, oferecendo o nosso tempo, energia e competências para implementar uma nova realidade social. Não é no café, no salão de cabeleireiro ou nas redes sociais que os problemas se resolvem. O burburinho espalha-se, no diz que disse, e rapidamente morre no esquecimento, adormecido por uma promessa vã ou uma alegria efémera. 

Todos têm algo extremamente útil a dar, para que todos possamos melhor receber, numa medida mais justa e adequada. Esqueçam a ideia de que não percebem nada de política. Fazer as pazes com um colega com quem discordaram na escola já é política. Gerir o orçamento familiar também é política. Resolver com habilidade os desafios e conflitos do dia-a-dia, nada mais é senão política. 

Por isso, nada receiem. Não esperem sentados pelas soluções que sempre tardam e sejam proativos. Unam as vossas ideias e vontades, num ativismo cívico ou partidário, e não cessem de lutar. 

Nunca aceitem como perpétuo nenhum estado ou situação. Não acreditem no mito do sistema instalado contra o qual ninguém nada pode. Todos podemos, intervindo mais, participando mais, votando mais. Todos podemos, trocando a resignação pela ação.

Sim, tu que estás a ler estas palavras, não vires as costas e não finjas que não é nada contigo. Sejas quem fores, tenhas a idade que tiveres, saibas o que souberes, o teu contributo é útil, a política também precisa de ti!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

RECONFINAMENTO - III

Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

SONHOS INVERTIDOS

Acabei por tornar-me naquilo que nunca quis ser: um funcionário alfanumérico de uma dessas empresas capitalistas para quem os trabalhadores são descartáveis e insignificantes. Por mais que faça, ou seja capaz de fazer, não valho muito mais que um salário mínimo. Que motivação esperar de mim superior a q.b.? Picar o ponto, numa pontualidade milimétrica, ser paciente face à impaciência alheia, e sorrir, quando nada mais puder, face à inversão dos sonhos acalentados num passado de onde ainda vislumbrava futuro. 

Quando a avó me levava ao parque

Quando a minha avó me levava ao parque, eu tinha cinco anos e ainda sabia ser feliz. A avó levava sempre a minha mão bem apertada pelo medo de não me deixar fugir. Esses dias eram sempre finais de tarde de verão, daqueles que o Sol gosta de prolongar até que resolve esconder-se. Depois de jantar, lá íamos nós, rua acima, pela fresquinha – como ela dizia – agradada com a brisa que antecede o anoitecer. Lá em casa, jantávamos cedo, às seis da tarde já a comida estava na mesa. Era assim por causa do avô. Ele chegava das obras com a roupa e as botas pesadas de cimento e tomava sempre banho antes de ocupar o seu lugar cativo à mesa. Depois, com as mãos espessas e ásperas de tanto acartar baldes de massa, cortava uma fatia de pão. Vida dura a do avô. As obras começavam sempre cedo, sobretudo no verão, para fugir à braseira estival. Vida dura a da avó. Uma vida feita de espera e de cuidar dos outros. Mas nem um lamento. Daquela boca só saíam jóias e rebuçados. Daquelas mãos, só carinho. Da...