Nem sempre me faço entender como gostaria. Chego aos outros deturpada, uma versão caramelizada da minha doçura interior. Por vezes, sou dura ao paladar. Mas quando me permito ser saboreada, sou mel ou qualquer outra substância açucarada, causadora de uma saudável dependência. Não me desgostes por puro ímpeto. Senta-te ao meu lado e oferece-me tempo. Conhecer o outro é uma arte que requer serenidade, compreensão e vagar.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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