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Mensagens

Os audazes

Nós, os que buscamos a paixão a cada passo, ao virar de cada esquina, falamos a mesma língua. Só nós nos entendemos e reconhecemos ao primeiro olhar. Andar pela linha do meio, pé ante pé, não é para nós. As almas transbordantes não gostam de copos meio cheios nem meio vazios. Abominam todo o tipo de planaltos. Ou é montanha ou é planície. Ou é tudo, ou não vale nada. Nós os que, a poder escolher entre o “não dói nada” e o “isto vai doer”, seguimos em frente, sabemos que não doer é sinónimo de não viver, não sentir dor é uma espécie de morte antecipada. Nós, os que arriscamos tudo sabendo que tudo podemos perder, somos os únicos que em dias de sorte podemos ganhar um  jackpot . Quem tudo quer, tudo perde. Mas, quem nada quer, nunca ganhou nada.   

Reportagem # 50

"Dica da Semana", edição regional Algarve, 15 de Outubro 2015

Adeus, marinheiro

Faz hoje uma semana que embarcaste na derradeira viagem. Trajado a rigor, partiste como sempre viveste: depressa demais. Sem tempo para envelhecer. Agora, nunca mais. Nunca mais o teu sorriso alvo. Nem os cabelos grisalhos ao vento, tão alvoroçados como a tua voz. Agora és um vazio que vamos preenchendo de memórias. E tantas que nos deixaste. Eras intenso em tudo o que fazias. “Onde é que andaste embarcada?”, perguntaste-me no dia em que entramos no mesmo barco. Mal sabíamos que era o barco do amor. Nesse tempo, deste-me mundo. E juntos criámos vida. Viverás para sempre num rosto de criança, mistura perfeita dos meus e dos teus traços. A partir de agora, recordar também será viver. De alma ainda esfaqueada, numa anestesia geral dos sentidos, eu prometo: vou continuar-te.

Reportagem # 49

"Dica da Semana", edição regional Algarve, 17 de Setembro 2015

Reportagem # 48

"Dica da Semana", edição regional Algarve, 10 de Setembro 2015

Reportagem # 47

"Dica da Semana", edição regional Algarve, 30 de Julho de 2015

Nunca digas adeus

Não te vou dizer adeus. Reservo essa palavra para as despedidas eternas. Vivemos uma Primavera onde apanhámos flores e avistámos o arco-íris. Sempre que o Inverno se pôs à espreita, soprámos nuvens e dançámos à chuva. Tentámos a sorte mas tivemos azar. Deixámos o barco do amor naufragar. Saltámos borda fora num túnel chamado noite. Só um mergulho na solidão nos poderá resgatar. Enquanto não abrandar o fôlego nem voltar a raiar o dia, a única luz ao fundo do tempo será a recordação brilhante do nosso olhar.