Há uma certeza que me rasga o peito e me ata o pensamento. Eu
amo-te. Estou certa disso. Sou capaz de reconhecer em cada reação do meu
corpo um sintoma indicador da veracidade do meu diagnóstico. Não é a primeira
vez que penso continuamente em alguém noite e dia, dia e noite, como se não
houvesse intervalo possível para uma mente sempre alerta, mesmo durante o sono.
A ausência de notícias é o que mais me consome. Não saber, a cada hora que
passa, por onde andas, o que estás a fazer, se e quando pensarás em mim. É aqui
que encontro também a razão mais plausível para desistir de ti. Se fosse para
ser possível, não seria assim. Um amor que vive de pensamentos tende a morrer
de saudades. O amor alimenta-se de carne, de pele, odor e calor. E eu já
quase não consigo imaginar o contorno do teu rosto sem voltar uma e outra vez
às fotografias que guardo no computador. Na angústia sôfrega de te querer tanto
e não te ter, a certeza volta a quebrar-se em mil pedaços, transformando-se
numa dúvida existencial: O que fazer com o amor que sentimos, quando não o
podemos viver? Haverá, algures, uma reciclagem do amor?
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

Muito intenso,adoro.
ResponderEliminarMuitos Parabéns, beijinhos.
Marta